O que a Fadinha e sua medalha olímpica podem nos ensinar em relação aos jovens?

Ao estampar no rosto um sorriso largo, dancinhas típicas do TikTok e manobras mais radicais e criativas, Fadinha mostrou que é possível ser jovem e ter responsabilidade.

Por Larissa Dionisio

Fadinha é o apelido de Rayssa Leal, skatista de 13 anos que trouxe aquela alegria necessária para nós, brasileiros e brasileiras. Uma adolescente, um skate, uma medalha e um sorriso que tem inspirado e emocionado muita gente grande por aí. E ainda bem que emoção e alegria não tem idade.

As Olimpíadas vieram em um momento muito complexo para o mundo, em plena pandemia. Não é à toa que sentimos a tensão dos/as atletas: na real, tá todo mundo bem tenso mesmo, ainda mais aqui no Brasil, com os escândalos e descasos do governo atual na gestão da pandemia e na campanha de vacinação. 

Rayssa e toda sua equipe, além de tudo isso, tem o peso da estreia do skate street na modalidade olímpica. Mais essa! Mas, ao estampar no rosto um sorriso largo, dancinhas típicas do TikTok e manobras mais radicais e criativas, Fadinha mostrou que é possível ser jovem e ter responsabilidade. Para chegar onde ela e sua equipe chegaram, é preciso uma rotina intensa de treinos, viagens, tomada de decisões, tudo isso com a rotina dos estudos e da própria adolescência, que sabemos, não é tarefa fácil. E isso mostra o quanto precisamos tirar essa ideia de que jovem não está nem aí para as coisas, para o mundo. Temos, enquanto adultos, parar de comparar coisas e processos que são incomparáveis

Os jovens dos anos 60 estavam vivendo um contexto social diferente dos jovens dos anos atuais e não dá para ficar no saudosismo. É preciso ir além: abrir-se para o diálogo e aprendizado intergeracional é vital para a nossa sobrevivência. Assim como dar espaço para que os jovens e suas diversidades possam ocupar o esporte, a cultura, a educação e principalmente, a política. O futuro é feito de passado, e nessa roda o mundo gira e o presente é o sorriso estampado na cara de quem está fazendo o que gosta e inspirando o futuro de meninas skatistas. 

É preciso ir além: abrir-se para o diálogo e aprendizado intergeracional é vital para a nossa sobrevivência. Assim como dar espaço para que os jovens e suas diversidades possam ocupar o esporte, a cultura, a educação e principalmente, a política

Assim como Rayssa, vimos Greta, Malala, Lucas Penteado, jovens secundaristas, slammers, produtores culturais, artistas, atletas e jovens lideranças na política mostrando que a capacidade dos jovens em se posicionar, caminhar e construir projetos de mundo com diferentes perspectivas.  Alguns sonhos, na verdade verdadeira, são direitos conquistados de juventudes que hoje já são adultos (alguns, não estão mais entre nós pela ausência), como a cultura, esporte, lazer, educação e existência, de seus corpos e do mundo em que vivemos. Desde o Estatuto das Juventudes, feito com a energia participativa e transformadora das juventudes brasileiras, o jovem é reconhecido como um sujeito de direitos, e seus direitos devem ser afirmados.

Mas, se temos políticas públicas que ainda deixam alguns jovens de lado, o que é possível fazer? Dar o poder de intervenção política e transformadora à essas juventudes diversas, principalmente para as negras, indígenas, rurais, LGBTQIA+. Capazes e conscientes de seus lugares de fala, o protagonismo jovem na política pode transformar o local, mas com impacto global.  Não é isso que vimos com Rayssa, Greta, Malala? Quantas vidas foram e estão sendo impactadas devido à essas adolescentes? 

Juventudes na política

Saindo do esporte e indo para a incidência política, um grupo de meninas, o Girl Up, tem protagonizado uma mudança importantíssima para as mulheres no Brasil: a criação de políticas públicas contra a pobreza menstrual, criando alternativas para que todas as pessoas que menstruam possam ter higiene, dignidade e respeito. 

Além disso, é importante dizer que romper estereótipos etários é importante, assim como os de gênero. Dizem que skate é coisa de menino, mas parece que o jogo mudou, não é mesmo? O skate e a política podem salvar e transformar vidas, assim como o sorriso da Fadinha, que com seu jeito jovem de ser, conquistou o mundo, e também uma medalha olímpica

Larissa Dionisio é coordenadora do estudo Emergência Política Jovem, do Instituto Update, que será lançado em outubro de 2021.

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