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De Abelardo Espriella a Nayib Bukele, a extrema direita encontrou novas formas de vender uma fantasia antiga e perigosa: a do super-homem.
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Na televisão, a câmera percorre um homem de terno até parar em seu rosto. O maxilar permanece imóvel e os olhos não acompanham o movimento ao redor. Homens vestidos da mesma forma tentam abrir caminho até o pódio. Sob um céu de inverno e diante de um microfone, esse homem fala em restaurar a ordem de um Estado que teria perdido o controle e promete governar com mão firme uma nação exaurida. É dia de posse, um dia cujas consequências ninguém era capaz de prever. É julho de 1990, e esse homem é Alberto Fujimori.
Eleito como alternativa à política tradicional peruana, Fujimori prometia fazer tudo que seus adversários pareciam incapazes de entregar. Apresentava-se como um outsider pragmático, disposto a estruturar o combate que logo sufocaria a guerrilha maoísta do Sendero Luminoso sem as amarras da "burocracia dos direitos humanos" e a retomar as rédeas de um Estado que considerava à beira do colapso. Trinta e seis anos mais tarde, Abelardo De la Espriella chega à Presidência da Colômbia seguindo um roteiro assustadoramente parecido. Alberto e Abelardo. El Chino e El Tigre. Ambos transformaram o ressentimento em combustível eleitoral e venderam a mesma promessa: a de que um “homem forte” resolveria problemas complexos pela força da própria vontade. Custe o que —ou quem— custar.
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O ex-presidente peruano Alberto Fujimori na Suprema Corte, em outubro de 2013, quando a Justiça negou seu pedido de prisão domiciliar. A decisão o manteve no penal de Barbadillo por considerar que seus crimes em Barrios Altos e La Cantuta constituíam delitos de lesa-humanidade. (Reuters)
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O algoritmo inaugurado por Fujimori não terminou em Lima. Três décadas e meia depois, o roteiro ressurge na Colômbia de Espriella, repete-se na Argentina de Javier Milei, em El Salvador de Nayib Bukele e, ao norte, nos Estados Unidos de Donald Trump, cuja política de contornos bélicos insiste em projetar uma sombra preocupante sobre o nosso continente. A coreografia é a mesma: o uso da masculinidade radicalizada como linguagem de poder. O líder aqui é o corpo que confronta, intimida e desafia salvaguardas institucionais, prometendo dispensar a mediação democrática em favor da força.
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Mais do que um ideal de homem, a performance da masculinidade vira uma tecnologia política que prospera onde a democracia deixa de convencer.
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Mas nenhuma tecnologia política prospera no vazio. A pergunta, então, deixa de ser quem são e de onde vieram esses novos machos-alfa da política latino-americana e se torna: por que um repertório que parecia pertencer ao passado voltou a funcionar?
Em boa parte da América Latina, muitos dos governos de centro e de esquerda encerraram seus mandatos com crescimento econômico, redução da pobreza e expansão de políticas sociais. Só que bons indicadores, sozinhos, não produzem pertencimento. Incapazes de converter esses resultados em uma renovação simbólica de mandato, esses governos deixaram um vazio que outros discursos trataram de ocupar.
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Se crescimento econômico e redução da pobreza não bastam para sustentar um projeto político, o que produz pertencimento hoje?
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Para a pesquisadora de teoria política Wendy Brown, a resposta passa pela promessa de recuperar um lugar perdido. O neoliberalismo opera como o motor desse paradoxo. Enquanto promete ascensão individual por meio de mérito, corrói posições de prestígio de setores das classes médias e trabalhadoras, especialmente de homens acostumados a tratar a autoridade como um direito natural. Essa perda relativa de poder é vivida menos como um rebaixamento material do que como uma humilhação existencial. É aí que o “homem forte” encarnado por Espriella, Bolsonaro, Bukele, e tantos outros deixa de ser uma figura política e se converte em um espelho.
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No lugar de projeto de governança, os novos machos-alfa da política latino-americana oferecem uma promessa de reparação psíquica: a fantasia de voltar a mandar.
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Essa promessa encontra terreno fértil na aliança entre o neoliberalismo econômico e o conservadorismo moral. À medida que o Estado transfere para as famílias o peso do cuidado, da saúde e da proteção social, a defesa da autoridade patriarcal deixa de ser apenas um valor tradicional para se tornar uma peça central desse modelo. Nas redes sociais, influenciadores traduzem esse mal-estar em linguagem cotidiana, redirecionando a frustração econômica contra inimigos culturais: feministas, pessoas LGBTQIA+, movimentos antirracistas. A guerra cultural cumpre, então, uma dupla função: oferece pertencimento a quem se sente deslocado e transfere a disputa para a arena identitária.
É justamente aí que o progressismo esbarra nos próprios limites. Ao relegar mulheres, negros, indígenas, pessoas LGBTQIA+ e periféricas ao status de agendas identitárias, em vez de tratá-los como protagonistas do trabalho, da segurança e da economia, a esquerda institucional preserva uma abstração: a ideia de um trabalhador universal, sem gênero, sem raça e sem território. O paradoxo é que são justamente esses corpos os mais expostos à violência urbana, à precarização laboral, ao colapso dos serviços públicos, à inflação e à sobrecarga do cuidado.
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Incorporar essas vivências ao centro da política não é uma concessão simbólica; é um ganho de precisão diagnóstica sobre os problemas que sufocam a vida cotidiana.
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Em entrevista ao programa #DRcomDemori, a jornalista e ex-deputada Manuela D´Ávila fala sobre violência de gênero dentro do Congresso Nacional, o papel das mulheres na renovação política e os desafios da esquerda no Brasil.
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Exemplos dessa contraofensiva material não faltam. No Brasil, Erika Hilton e Rick Azevedo deslocaram o debate da jornada de trabalho para o direito ao tempo de vida ao pautarem a PEC contra a escala 6x1. No Chile, a deputada mapuche Ericka Ñanco transformou a pauta ambiental em redistribuição econômica ao exigir que corporações florestais paguem tributos diretamente nos municípios impactados por sua exploração. Na Argentina, a Lei de Cota Laboral Trans Diana Sacayán–Lohana Berkins obteve apoio transversal ao enquadrar a inclusão como política de emprego formal e autonomia financeira. Em comum, essas experiências retiram a política do campo moral e a devolvem ao terreno onde ela produz condições concretas para a dignidade.
Se a masculinidade virou um espelho onde se projetam frustração, ressentimento e a promessa de recuperar um poder perdido, o que acontece quando o imaginário político se abre para outros reflexos? Mulheres, indígenas, negras, jovens, trans e populares defendendo agendas de dignidade e bem-viver, com tempo livre, crianças seguras, mulheres vivas e juventude com oportunidades. Mulheres que chegam à política não para restaurar um lugar de autoridade, mas para construir um que até então lhes foi negado. O convite não é mais à nostalgia. É à imaginação.
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Contra a fantasia do macho-alfa, um antídoto:
A política da vida cotidiana, por quem a vive.
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Mariana Lozzi
Jornalista e escritora
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Limbo em Lima: Vitória de Keiko se consolida, mas Peru segue sem presidente proclamado
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Se o fujimorismo continua organizando o imaginário político peruano, seus efeitos também seguem organizando a realidade. Vinte e três dias após o segundo turno de 7 de junho, o país continua sem um presidente oficialmente proclamado, embora a Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) já tenha concluído virtualmente a apuração, consolidando a vitória de Keiko Fujimori. O empate milimétrico com Roberto Sánchez deixou uma vantagem de pouco mais de 40 mil votos, fazendo com que a oficialização do resultado ainda dependa da resolução final de recursos e impugnações na Justiça Eleitoral. O desfecho arrastado transformou a proclamação do resultado em mais um capítulo da longa instabilidade do país.| El País |
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Para ir além do factual e compreender como a sombra do fujimorismo continua moldando cada impasse eleitoral no Peru trinta e seis anos após sua primeira ascensão, a plataforma Distintas Latitudes selecionou cinco reportagens essenciais que destrincham o legado de Alberto Fujimori.
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Família Bukele compra: Propriedades imperdíveis em San Salvador
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Uma série investigativa revelou a velocidade com que a família de Nayib Bukele vem adquirindo terras e imóveis de alto valor em El Salvador. O avanço do patrimônio do clã presidencial se concentra no Centro Histórico de San Salvador e em zonas costeiras valorizadas pelo projeto turístico Surf City. A investigação expõe como a retórica de segurança e revitalização urbana pode servir de cortina de fumaça para uma agressiva expansão imobiliária privada. | Redacción Regional |
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Cem dias após a posse de José Antonio Kast, comunidades mapuche marcharam até o Palácio de La Moneda no Chile para entregar um manifesto contra a reforma da Lei Indígena anunciada pelo governo. A medida foi apresentada sob a promessa de ampliar a liberdade sobre o uso das terras ancestrais, mas, na prática, abre caminho para arrendamentos e hipotecas de solos protegidos, submetendo famílias ao risco de perderem suas terras para as dívidas com os bancos.
Para lideranças indígenas e para a deputada mapuche Ericka Ñanco, a mudança reabre uma disputa histórica sobre território, autonomia e o risco de transformar direitos coletivos em ativos de mercado. | Prensa Latina | TeleSUR |
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“Somos filhos dessa história, uma história que, infelizmente, este país escolheu ignorar de maneira conveniente durante muitos anos.”
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Um monitor ambiental analisa as informações obtidas por imagens de satélite. Foto: CEJIS.
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Mais de 186 mil hectares de floresta desapareceram de territórios indígenas da Amazônia boliviana entre 2003 e 2023. Segundo a plataforma VISTA, lançada pela investigação Amazonía Traficada, mais de 90% desse desmatamento ocorreu ilegalmente, impulsionado sobretudo pela expansão da fronteira agrícola. Diante da incapacidade do Estado de conter o avanço sobre seus territórios, comunidades indígenas passaram a construir sua própria infraestrutura de proteção. São redes de monitores socioambientais que combinam drones, imagens de satélite, GPS e trabalho de campo para identificar invasões, incêndios e áreas recém-desmatadas. | Mongabay |
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No Uruguai, o governo de Yamandú Orsi enfrenta uma erosão precoce de apoio que desafia a mítica estabilidade do país. Pouco mais de um ano após o retorno da esquerda ao poder, 61% dos eleitores do Frente Amplio relatam que a gestão não cumpriu suas expectativas, ecoando críticas internas de lentidão e excesso de cautela. Enquanto a Colômbia gira rumo ao espetáculo da ordem e o Peru se afoga em paralisia institucional, o cenário uruguaio expõe os limites do tecnocratismo: embora os indicadores sociais e econômicos sigam estáveis, o governo tateia diante de uma base desmobilizada que começa a flertar com a apatia. | Nueva Sociedad |
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Labirinto colombiano: Marcha da ordem e ruas em disputa
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A confirmação da vitória de Abelardo de la Espriella pelo Conselho Nacional Eleitoral consolidou a guinada à direita da Colômbia por uma margem mínima e histórica. Mas, em vez de pacificar o país, o desfecho do balotaje arrastou milhares de pessoas às ruas de Bogotá e Cali em protestos que exigem transparência e recontagem de votos. Independente da legitimidade dos pedidos de recontagem, a mobilização imediata reflete a fratura de um eleitorado altamente engajado, mas profundamente polarizado, que recusa o silêncio diante da promessa de "mão dura" do novo governo. O cenário nas ruas colombianas revela o tamanho do desafio institucional. A promessa de ordem que levou o outsider conservador ao poder agora terá de conviver com uma sociedade mobilizada e disposta a disputar o espaço público. | El País | Nueva Sociedad |
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Narrativas de resistência: Pertencimento além das urnas
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Crédito: Patricia López / VIST projects
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Enquanto os centros urbanos digerem os resultados das eleições, a articulação comunitária na Colômbia profunda relembra que a disputa por futuro não se esgota no calendário eleitoral. Essa resistência é ilustrada pelos 30 anos da Associação de Medios de Comunicación Indígena de Colombia (AMCIC): uma trajetória de três décadas mostrando como rádios e comunicadores comunitários constroem autonomia política, memória e territorialidade à revelia dos arranjos partidários de Bogotá. | VIST projects |
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Uma investigação conjunta revelou como a insegurança pública se transformou em um negócio bilionário no México. Ao rastrear contratos, empresas e registros fiscais da Seguritech Privada, principal fornecedora de tecnologia de vigilância para órgãos públicos, o consórcio de jornalistas identificou mais de 52 bilhões de pesos (cerca de US$ 3 bilhões) em recursos públicos destinados à empresa desde 2012. Enquanto sucessivos governos justificam investimentos crescentes em câmeras, drones e centros de monitoramento como resposta à violência, o país continua convivendo com alguns dos mais altos índices de criminalidade da região. | POPLab | CONNECTAS |
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Geopolítica do impedimento
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Dominique Simon, do Haiti, durante a partida contra o Peru, em Miami, em 5 de junho. Foto: Rebecca Blackwell/AP.
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O Haiti se despediu da Copa do Mundo ao ser derrotado pelo Brasil por 3 a 0 nas quartas de final. O resultado encerrou uma campanha histórica: foi a primeira vez em 52 anos que a seleção haitiana disputou o torneio. Fora de campo, as restrições migratórias do governo Trump impediram que os torcedores do país viajassem aos Estados Unidos para acompanhar a equipe. Dentro dele, a FIFA exigiu que a seleção retirasse do uniforme a ilustração da Batalha de Vertières (confronto decisivo que garantiu a independência haitiana e o fim da escravidão) sob a justificativa de que se tratava de um símbolo político. A eliminação pode até encerrar a participação nos gramados, mas deixa expostas as fronteiras políticas do esporte. | El País |
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O gato-andino é o felino mais raro das Américas e habita Argentina, Bolívia, Chile e Peru. Foto: Juan Repucci/Alianza Gato Andino (AGA)/WCS Argentina.
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Em uma edição da nossa news povoada por governantes em crise de masculinidade, uma vitória de menos de cinco quilos foi avistada na cordilheira argentina. Pelo terceiro ano consecutivo, câmeras instaladas nos arredores da reserva de La Payunia registraram a presença do gato-andino, o felino mais ameaçado das Américas. O feito é resultado de uma aliança entre cientistas, comunidades locais e criadores de gado que transformou a conservação da espécie em um pacto coletivo.
O caso chama atenção porque aponta para um caminho já conhecido em outras partes da América Latina. Quando a proteção do território deixa de depender exclusivamente do Estado e passa a incorporar quem vive nele, a conservação ganha novos olhos, novos braços e novas formas de permanência. Na Argentina de Javier Milei, onde organizações ambientais denunciam cortes, paralisia institucional e subexecução orçamentária na área ambiental, a sobrevivência do gato-andino lembra que a biodiversidade também se protege construindo alianças. | Mongabay | Página 12 |
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Arte: Agência Presentes.
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Passados mais de 40 anos do início da epidemia de HIV, o principal obstáculo ao diagnóstico segue sendo a desinformação. A organização argentina Agencia Presentes lançou uma história em quadrinhos que dispensa o moralismo para mostrar que o teste é gratuito, confidencial e o caminho mais eficaz para o tratamento precoce, permitindo que pessoas que vivem com o vírus levem uma vida longa e saudável. A campanha chega em boa hora: segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), cerca de 14% das pessoas que vivem com o HIV na América Latina e 15% no Caribe ainda desconhecem seu diagnóstico. | Agencia Presentes | OPAS |
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Futurismo andino: Imaginar o amanhã a partir do território
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Foto: © Noemí Gonzales / Vist Projects, do ensaio Post-humanas y sueños cyborgs de + seres de los Andes.
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Como sonhar futuros que nos pertençam? Essa foi a pergunta que o Vist Projects fez à artista boliviana Noemí Gonzales, criadora do ensaio visual Post-humanas y sueños cyborgs de + seres de los Andes. Na conversa, Gonzales defende que imaginar o futuro é também uma forma de resistir ao apagamento cultural.
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“Como imaginar o futuro no território andino? Eu o entendo como um retorno aos lugares de origem (...) preservar nossas tradições (...) não a partir de um olhar museológico, mas de uma perspectiva prática e simbólica.”
— Noemí Gonzales.
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Para construir esse futuro, a artista veste mantas e saias decoradas com lantejoulas, LEDs e peças compradas em mercados de minibuses locais. Entre alpacas e a arquitetura neo-andina do altiplano, suas mulheres ciborgues recusam a distopia tecnológica ocidental para imaginar outra possibilidade: um amanhã em que tecnologia, memória indígena e natureza coexistem. | Vist Projects |
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Enquanto as bets conquistam espaço no futebol e no cotidiano dos brasileiros, há quem entre em campo para disputar essa narrativa. O Desafio Contra Bets, organizado pelo Projeto Brief em parceria com Sleeping Giants, IDEC e Escola de Ativismo, convida criadores de conteúdo a produzir vídeos, memes, ilustrações e outras peças sobre os impactos sociais do endividamento e do vício em apostas. As inscrições seguem até 12 de julho, e os trabalhos selecionados serão premiados. | Projeto Brief |
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Ira Maraguá (à esquerda), Lup Moara (no meio) e Kaila Hexkaryana (à direita). FOTOS: Jéssica Mendes/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do AM.
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No Festival de Parintins, maior celebração cultural da Amazônia brasileira, uma das figuras mais simbólicas do espetáculo começou a mudar de rosto. Durante décadas, o papel do Tuxaua, que representa as grandes lideranças indígenas, foi reservado aos homens. Neste ano, os bois Caprichoso e Garantido ampliaram a presença de mulheres cis e trans na função, redefinindo quem pode encarnar um símbolo historicamente associado à autoridade e ao comando. | Cultura do AM |
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Seis pesquisadoras indígenas da América Latina decidiram ocupar um espaço historicamente negado às suas comunidades. Em laboratórios, florestas, montanhas e rios, elas aproximam conhecimentos ancestrais e ciência ocidental, colocando a pesquisa a serviço da proteção ambiental e da defesa de seus territórios. Quatro delas são as primeiras mulheres de suas famílias a chegar à universidade. Nenhuma precisou abrir mão dos saberes que as ensinaram a observar o mundo. | Mongabay |
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Ilustração: Cortesia / Mongabay Latam
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“Eu tinha uma pergunta para tudo o que meus avós me contavam. Por que o rio enche? Como o peixe consegue respirar debaixo d'água? Por que os pássaros voam? Eu queria encontrar essas respostas. Foi por isso que decidi ser bióloga.”
— Avita Taricuarima, cientista do povo indígena kukama, no Peru.
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Dicas da quinzena da equipe do Instituto Update para você.
🖥️ MIRA Filmado ao longo de quase uma década, Tristán y los días por venir acompanha a transição de gênero de um adolescente argentino dos 14 aos 22 anos. Dirigido por Martina Matzkin e Gabriela Uassouf, o documentário argentino estreou em 18 de junho e transforma a experiência íntima de crescer em uma reflexão sobre afeto e comunidade.
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🎧 ESCUCHA “Como criar meninos conscientes e empáticos em tempos de machosfera?” Essa é a pergunta que a Revista Gama faz à antropóloga Isabela Venturoza em seu Podcast da Semana. A conversa discute como os meninos aprendem a ser homens, o avanço da ideologia masculinista nas redes e a importância de construir, desde cedo, outras referências para nossas crianças e adolescentes.
💃🏽 BAILA com La Peleona, novo single da venezuelana Ella Bric. Entre metais, eletrônica e ritmos latino-americanos, a artista faz do rótulo da "mulher brigona" um hino de autonomia.
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"Tenho fama de brigona.
Você acha que me incomoda? A verdade é que tanto faz,
você não paga minhas contas."
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