Imaginar é um verbo
e um imperativo
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E se a saída não for só convencer, mas voltar a encantar?
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O que são 49 dias?
Não parece muito. Mas é tempo suficiente para um sabiá-laranjeira ser concebido, gestado, nascer e arriscar as primeiras notas. Dá para fazer um bico, asas, penas de no mínimo três cores e uma garganta destinada a cantar em 49 dias. É mais que o dobro do tempo que Domitila Barrios de Chungara e outras mulheres mineiras precisaram para transformar uma greve de fome contra a ditadura boliviana em uma mobilização de milhares e arrancar de Hugo Banzer uma anistia política. E pouco mais da metade do tempo que levou para Manuel Zelaya ser expulso de pijama para a Costa Rica durante o golpe militar em Honduras, cruzar fronteiras clandestinamente e reaparecer refugiado na embaixada do Brasil em Tegucigalpa, transformando um prédio cercado por tropas e gás lacrimogêneo em um centro vivo da resistência.
Nosso continente é a prova: cabe muita coisa em 49 dias. Coube o susto de Macunaíma ao perder seu muiraquitã no rio, a travessia da floresta até a Paulicéia em busca do amuleto e a descoberta de que, quando a selva é de pedra, a máquina come a gente antes da fome.
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Uma das aves-símbolo do Brasil, o sabiá-laranjeira tem um dos cantos mais reconhecíveis do país. Foto: reprodução / Frontiers in Ecology and the Environment
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No Brasil, 49 dias é o tempo exato da campanha eleitoral em curso. São quarenta e nove dias para disputar, convencer, negociar e produzir um consenso do tamanho de um país. Desde 16 de agosto, estamos suspensos nesse tempo estranho e poderoso que só se abre uma vez a cada quatro anos. Tempo de narrativas dissonantes, de imagens reais atracadas com imagens geradas por IA, de discursos compartilhados e desbancados quase instantaneamente, de algoritmos rodando seus fractais pelos 5.570 municípios brasileiros e além. Sem respiro, sem trégua, sem arrego.
É tempo de muita coisa. Mas, antes de tudo, de imaginação: durante 49 dias, todos os futuros do Brasil existem ao mesmo tempo.
Como poderia ser diferente?
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Para que alguns desses futuros ganhem vida fora das nossas cabeças, precisam existir primeiro dentro delas.
Igual a um livro. A uma revolução. A um sabiá.
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São dias tão importantes quanto imprevisíveis. Desinformação, polarização e fragmentação viraram as palavras da vez, só que todas de uma vez. A disputa agora é também pela realidade: qual narrativa circula, qual convence, qual prevalece. E isso num ecossistema digital cada vez menos capaz de sustentar versões compatíveis de uma mesma história, que dirá uma realidade comum.
O momento é de luta. Mas também de cansaço. Nos últimos anos, a gente foi se acostumando a defender o óbvio. O mínimo. A proteger o pouco que se conquistou a muito custo e a imaginar a partir daí. Em 2026, chegamos a lugares que há pouco tempo pareciam reservados às distopias: discutir se mulheres deveriam votar, se quem trabalha cinco dias deve ter direito a dois de descanso, se é preciso acreditar em Deus para disputar legitimamente uma eleição ou se o aquecimento dos oceanos é digno de nota.
A sensação é a de virar o próprio Macunaíma na Carta pras Icamiabas, quando ele tenta resumir a loucura da cidade grande: "Tudo vai num descalabro sem comedimento, e estamos corroídos pelo morbo e pelos miriápodes! Em breve seremos novamente uma colônia...". Ou, em bom e sonoro português de boteco: como diabos viemos parar aqui e para onde estamos indo com isso?
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Não falta quem tente explicar. Em Políticas do encanto (Elefante, 2024), Paolo Demuru levanta a hipótese de que, nos últimos anos, a eficácia da máquina de captura política do autoritarismo passou a depender menos da consistência dos seus projetos do que da capacidade de fazê-los soar possíveis. Ela entrega uma realidade fácil, maleável, de dobrar entre as mãos. Problemas complexos ganham causas simples, adversários viram inimigos, líderes viram salvadores e soluções políticas assumem a dimensão de promessas.
A gestão do possível cede lugar à expectativa do extraordinário. Pouco importa se essas utopias têm lastro histórico ou condições materiais de realização; importa que sejam capazes de organizar experiências, produzir pertencimento e oferecer uma saída imaginável para o sufoco do agora. É nesse movimento que política e magia borram suas fronteiras, e é por meio dele que se pavimentam as autocracias do nosso tempo.
Na América Latina, esse feitiço encontra muitas formas e frentes: no messianismo punitivista de Nayib Bukele, que vende a erradicação do crime como um passe de mágica autoritário; no culto aos “super-homens” e justiceiros encarnado por Abelardo de la Espriella; no anarcocapitalismo místico de Javier Milei, com sua promessa de redenção econômica pela submissão ao mercado; na alquimia revisionista de Keiko Fujimori, que transmuta uma herança de corrupção e violência numa fábula falaciosa de estabilidade.
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Quando o autoritarismo sequestra a imaginação e oferece o espetáculo do milagre, o que sobra?
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A resposta talvez esteja mais perto do que imaginamos. É preciso lembrar: sempre fomos nós as arquitetas da imaginação. Fomos nós que sonhamos um mundo com trabalhadores com direitos, com mulheres independentes, com sexualidade livre, com pessoas negras e indígenas livres, vivas e ditando os rumos do país.
Em 2011, o primeiro governo Dilma escolheu para si um lema que parecia quase uma obviedade: “País rico é país sem pobreza”. Não era, Dilma insistia. Num país profundamente desigual, era preciso afirmar que riqueza nacional e pobreza da população não podiam continuar convivendo como se uma coisa não contradissesse a outra.
O lema ainda cabe. Mas com um pequeno acréscimo: País rico é país sem pobreza e com encantamento.
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Quinze anos depois, Claudia Sheinbaum, primeira presidenta do México, fez da frase célebre do primeiro presidente indígena mexicano um slogan do seu governo: “No puede haber gobierno rico con pueblo pobre”: um convite para imaginar a política como extensão da vida coletiva e do bem-comum. Se é o povo que escolhe e sustenta um governo, que a riqueza produzida seja distribuída.
A contrapartida que Paolo Demuru propõe também vai por aí. Não se trata de escolher entre sonho e projeto, mas de juntar os dois: recuperar a capacidade de imaginar futuros desejáveis sem abrir mão das condições materiais para realizá-los. Sonhar, planejar, fazer e comunicar. O encanto, nesse caso, não substitui a política: ajuda a ampliar aquilo que a política pode desejar e tornar possível.
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Talvez por isso quem faz o Update siga insistindo que eleição também é tempo de imaginar.
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Porque, olha, boa parte do que hoje parece assentado um dia pareceu improvável: salário mínimo, saúde e educação públicas, o voto das mulheres, direito ao divórcio, Lei Maria da Penha, cotas para estudantes de escola pública, para pessoas trans, para pessoas negras.
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Antes de ganharem forma na lei, nas políticas públicas e nas instituições, foram ficções políticas que alguém precisou sustentar contra o consenso, e continuar sustentando até que uma brecha se abrisse e desse para passar dentro.
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E, para os mais céticos, vale dizer que sonho não quer dizer fuga. O latim já separava as coisas: enquanto somnus é o adormecer do corpo, somnium nomeia aquilo que se vê durante o sono. Na América Latina, esse “dormir-vendo” tem história política concreta: sonhar não é fechar os olhos para o mundo, mas enxergar mais longe, imaginar o que ainda não encontrou lugar nele.
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É no sonho que cabem todas as pessoas com dignidade. É lá que a gente se encontra, se reconhece e percebe que talvez tenha mais em comum do que parece.
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Setembro começou, e faltam pouco mais de trinta dias para os brasileiros escolherem quem ocupará a Presidência da República, quem nos representará na Câmara e no Senado e quem vai assumir os governos estaduais. Visto de perto, o país está em campanha: comícios, caravanas e bandeiras disputam as ruas, os rios, as redes e, daqui a pouco, as urnas. Basta afastar um pouco o olhar, no entanto, e o Brasil diminui no mapa. Colômbia, Chile, Argentina, Peru, Bolívia, Equador, Paraguai, El Salvador: governos autoritários se sucedem ao redor e além das nossas fronteiras. O continente parece tomado. O Brasil, rodeado.
Mas não está. Se o continente parece se fechar, vale lembrar o próprio Macunaíma quando se recusa a aceitar o peso do chão: “Não vim no mundo para ser pedra”. Nós também não.
Em outubro, o Brasil pode voltar a ser referência para a região e para o mundo não apenas pela capacidade de derrotar o autoritarismo nas urnas, mas de derrotá-lo antes, onde ele aprendeu a vencer: no imaginário. Porque uma eleição também se disputa ali, naquilo que um país consegue desejar para si e acreditar que ainda pode ser.
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Faltam pouco mais de trinta dias.
Há mundos inteiros sendo imaginados enquanto este ainda está em disputa.
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Mariana Lozzi
Jornalista e escritora
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A régua mexeu pouco, mas mexeu em todo lugar
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Indígenas na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Crédito: Ton Molina/Fotoarena/Estadão Conteúdo
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É inegável que o brasileiro tem testemunhado recuos, mas também existem avanços. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fechou o registro de 2026 com recorde proporcional de candidaturas femininas — 34,8% do total, ainda distante dos 52% do eleitorado — e recorde de candidaturas indígenas: 191 registros, quase 44% deles de mulheres. A novidade mais simbólica está no Senado: pela primeira vez desde 2014, todos os 27 estados têm ao menos uma candidata à Casa — em 2018, Acre, Bahia e Tocantins não tinham nenhuma. O recorde não altera muito a proporção geral, já que mulheres seguem sendo 22% das candidaturas ao Senado, mas muda o mapa: nenhuma unidade da federação fica de fora. | CNN | Senado Notícias |
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A maré verde marcou décadas de mobilização feminista pelo direito ao aborto na Argentina. Foto: AGUSTIN MARCARIAN / REUTERS
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A Argentina deu mais um passo na agenda conservadora de Javier Milei ao aderir ao Consenso de Genebra, aliança internacional criada em 2020, copatrocinada pelo governo de Donald Trump, que rejeita a existência de um direito internacional ao aborto. A decisão provocou reação de organizações feministas em todo país. | Política Argentina |
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Importante lembrar: A adesão, por si só, não altera a lei argentina, que desde 2021 garante a interrupção voluntária da gravidez até a 14ª semana. O aborto legal foi conquistado depois de décadas de organização feminista e educação popular, um trabalho de base que culminou na maré verde e transformou profundamente o debate público argentino. Milei pode até reposicionar o Estado argentino no cenário internacional, mas desfazer uma transformação construída por décadas de mobilização feminista é outra história.
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No Chile, mulheres do campo voltaram a colocar empresas e Estado no banco dos réus. A Associação Nacional de Mulheres Rurais e Indígenas (Anamuri) realizou em Santiago a 11ª edição de seu Tribunal Ético, iniciativa criada em 2009 para denunciar violações de direitos no trabalho rural e responsabilizar simbolicamente empresas e instituições públicas. Mais do que um espaço de denúncia, o tribunal articula trabalhadoras agrícolas, pescadoras e organizações sociais em torno de problemas que atravessam seus territórios. | El Ciudadano |
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Nubia Carolina Córdoba, governadora de Chocó, na Colômbia. Foto: Governo de Chocó.
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Quando um terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia em 10 de agosto, Nubia Carolina Córdoba apareceu entre escombros, percorreu os municípios atingidos e esteve à frente da resposta do governo local à tragédia. A emergência projetou nacionalmente uma liderança que o Chocó conhece desde 2023, quando Córdoba se tornou a primeira mulher eleita governadora do departamento. Negra, nascida na capital Quibdó e com trajetória ligada aos direitos étnicos e territoriais, ela governa uma das regiões mais pobres e mais afetadas pelo conflito armado na Colômbia. Em 2025, a caravana em que viajava foi atacada a tiros, e Córdoba saiu ilesa. Aos 36 anos, ela oferece uma imagem ainda pouco frequente do poder na América Latina: uma mulher negra, nascida no território que governa, à frente da reconstrução de uma região historicamente esquecida pelo Estado.| El Tiempo |
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Merenda que vai, merenda que volta
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Na República Dominicana, dois projetos de lei perderam validade e tiveram que ser reapresentados — mas dessa vez, com prazo. Poucos dias depois de o país comemorar publicamente ter saído do Mapa da Fome da FAO, a Comissão de Família da Câmara de Deputados, presidida pela deputada Shoraya Suarez Ariza, retomou as propostas de alimentação escolar e agricultura familiar. A coincidência expõe o contraste: o "Hambre Cero" já é discurso oficial, mas a lei que sustentaria essa meta a longo prazo — merenda e almoço de qualidade para cerca de 3 milhões de crianças — ainda dependia de uma deputada correndo atrás do próprio texto perdido no Congresso. | Infobae |
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Pela primeira vez na história recente de Cuenca e Azuay, no Equador, duas mulheres comandam simultaneamente os principais governos locais da região. Marisol Peñaloza assumiu a Prefeitura de Cuenca após a suspensão do prefeito Cristian Zamora, enquanto Alexandra Quintanilla chegou à Prefeitura de Azuay depois que Juan Cristóbal Lloret renunciou para disputar a Prefeitura de Cuenca. Nenhuma das duas foi eleita diretamente para o cargo, mas a coincidência marca uma mudança simbólica em uma política local historicamente dominada por homens. Peñaloza deve permanecer no posto ao menos até dezembro; Quintanilla, até maio de 2027. | El Mercurio |
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Uma brecha histórica se abre
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A presidenta do México, Claudia Sheinbaum, reafirmou o apoio à candidatura de Michelle Bachelet para comandar a ONU a partir de 2027. Ex-presidenta do Chile e ex-alta comissária da organização para os Direitos Humanos, Bachelet é apoiada por México e Brasil, mesmo após o governo chileno de José Antonio Kast retirar seu respaldo. A disputa para suceder António Guterres passa pelo Conselho de Segurança, onde os cinco membros permanentes têm poder de veto, antes da nomeação pela Assembleia Geral. Se eleita, Bachelet será a primeira mulher a ocupar o cargo em 80 anos de história da ONU. | El Ciudadano |
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Dicas da quinzena da equipe do Instituto Update para você.
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🖥️ MIRA Macunaíma (1969), de Joaquim Pedro de Andrade, adaptação para o cinema do anti-herói e que abriu esta edição. Adaptado da obra de Mário de Andrade, o filme acompanha o “herói sem nenhum caráter” da mata à cidade, numa mistura anárquica de comédia, fantasia, tropicalismo e crítica social. E o melhor: está disponível na íntegra no YouTube.
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🎧 ESCUCHA Domitila, la rebeldía de las mineras bolivianas, radionovela sobre a vida de Domitila Barrios de Chungara e das mulheres que enfrentaram as ditaduras da Bolívia a partir das comunidades mineiras. Para acompanhar a história que abre esta edição, vá direto ao capítulo 16, Cinco mujeres contra Banzer: em 1977, um pequeno grupo de mulheres decide iniciar uma greve de fome contra a ditadura, apesar da descrença dos próprios dirigentes mineiros. O protesto cresce, atravessa o país e ajuda a obrigar Hugo Banzer a conceder anistia aos presos e exilados políticos. Em apenas 14 minutos, o episódio conta como algumas mulheres, seus filhos e uma ideia improvável ajudaram a colocar uma ditadura contra a parede. A série completa, produzida pela Fundação Rosa Luxemburgo e pela Radialistas, está disponível aqui.
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💃🏽 BAILA com Em Nome da Estrela (2022), de Xênia França. Não é lançamento, mas o segundo álbum da cantora e compositora baiana é uma aula de desconstrução e afirmação. Entre sintetizadores, jazz, R&B, soul e percussão afro-baiana, o disco imagina ancestralidade e futuro como partes de uma mesma história. Conta ainda com releituras de raridades de Gilberto Gil e Djavan e uma esperança que não soa ingênua, mas construída. Disponível no Spotify.
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Renascer (Xenia França), clipe do álbum Em Nome da Estrela (2022)
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