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Instituto Update | O Realismo Mágico da Política Latino-americana 
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Se a segurança se tornou o tema mais presente na política na América Latina, isso é porque somos mulheres em uma região atravessada pelo medo e uma população que vive sob ameaça.

No Brasil, 77% das mulheres apontam a violência como o maior problema do país. A pesquisa Mulheres em Diálogo, do Instituto Update, mostra que é justamente a maior parcela da população que tem seus corpos mais ameaçados: 64% das vítimas de feminicídio no Brasil são mulheres negras.

Não é surpresa, portanto, que a violência seja apontada como o principal problema do país. O medo não é um dado abstrato, ele é cotidiano e atravessa corpos, territórios e trajetórias. 

Esse cenário também marcou o Dia Internacional das Mulheres no Brasil, que foi protagonizado por protestos contra a violência de gênero. Não houve clima de celebração, o tom predominante foi de denúncia e indignação diante do aumento diário dos casos brutais de da violência. 

A segurança se torna, assim, é o tema que move eleitores às urnas, aquece o debate público e ocupa o centro das disputas políticas. Em uma região que convive com a violência como se fosse inevitável, a saída não está em discursos prontos de segurança pública que respondem à violência com mais morte, mas em projetos que coloquem a vida no centro e que sejam capazes de imaginar países onde ser mulher não seja um risco.

Fique por dentro das notícias políticas da América Latina.

8M na América Latina.

No Chile, mais de 500 mil mulheres foram às ruas apenas na capital, Santiago, e marchas aconteceram em diversas cidades do país. As mobilizações ocorreram no mesmo fim de semana em que foi oficializada a transição política após os cinco anos do governo de Gabriel Boric para um novo ciclo da direita liderado por José Antonio Kast. Nas ruas, a presença massiva de mulheres soou como um recado político: um suspiro coletivo de resistência e de disposição para seguir organizadas e em oposição. | La Neta |

No México, o momento também teve um caráter simbólico. No segundo ano do governo da presidenta Claudia Sheinbaum, foi a própria chefe de Estado quem convocou e encabeçou as mobilizações, chamando mulheres às ruas e fazendo uma homenagem direcionada às mulheres das forças armadas. Em um contexto em que governos progressistas são pressionados sobre políticas de segurança pública, Sheinbaum optou por destacar o papel das mulheres que atuam na segurança. | NMás |

Na Argentina, o governo se colocou explicitamente contra as marchas. Embora as mulheres sigam indo às ruas, e as marchas de Buenos Aires continuem entre as maiores da América Latina, o governo de Javier Milei publicou críticas ao feminismo nas redes sociais oficiais questionando conquistas e a construção do movimento nos últimos anos. | Chequeado |

Em El Salvador, também houve mobilização. Em San Salvador, centenas de mulheres foram às ruas mesmo sob um contexto de forte repressão e centralização de poder no governo de Nayib Bukele. O recado das manifestações foi direto: em um país marcado pela violência, as mulheres continuam entre as principais vítimas e precisam seguir organizadas e visíveis. | Infobae |

Na Colômbia, o Dia das Mulheres coincidiu com as eleições legislativas para o Senado e para a Câmara dos Representantes do país. Diante desse contexto, organizações de mulheres lançaram a campanha “Mi 8M es en las urnas”, convocando as mulheres a transformarem o dia de mobilização em voto em mulheres feministas. | Red Nacional de Mujeres |

Noventa e cinco meses e dez dias após o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, crime que se tornou um divisor de águas e uma ferida aberta na história recente da democracia no Brasil, o Supremo Tribunal Federal condenou os irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão, ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro e ex-deputado federal, respectivamente, apontados como mandantes do assassinato da vereadora. | Alma Preta |

+ O Instituto Marielle Franco nasceu desse marco doloroso, mas também inaugurou uma nova etapa do ativismo político no país, mantendo viva a memória de Marielle e recolocando no centro do debate público temas historicamente negligenciados, como violência política, racismo, direitos das mulheres negras e a urgência de fortalecer a democracia. | Instituto Marielle Franco |


A economia de Cuba atingiu um nível crítico, aproximando-se do colapso. Diante da crise, multiplicam-se as incertezas: há negociações em curso com a Casa Branca? O filho de Raúl Castro assumirá a condução política? Mas, para além das disputas de poder, permanece uma pergunta central: até que ponto a abertura econômica pode produzir mudanças reais em um país que enfrenta problemas estruturais básicos para a vida cotidiana? | El Estornudo |

  • Em janeiro, após a invasão dos Estados Unidos à Venezuela e o controle no fornecimento de petróleo pelo país, Cuba enfrentou novo agravamento da crise energética, passando a depender de ajuda humanitária de países como México, Chile e Rússia. O bloqueio econômico dos EUA segue como o principal fator da escassez vivida no país. | Volcánicas |

O Uruguai se tornou o país pioneiro na região ao apresentar um instrumento legislativo voltado ao enfrentamento da violência política de gênero no ambiente digital. | Caras y Caretas | 

Inspirações latino-americanas para alimentar a sua imaginação política.

Guerreras por la Amazonía é um coletivo de jovens equatorianas que atua em diferentes regiões do país na luta contra a contaminação causada pela exploração petrolífera e a degradação ambiental na Amazônia. O grupo combina ativismo territorial e incidência política, ocupando espaços institucionais e públicos com vozes jovens comprometidas com a defesa socioambiental. | @guerrerasxamazonia | 

A prática do ativismo está intimamente ligada às manifestações do Dia das Mulheres ao redor do mundo, especialmente na América Latina. O glossário do meio feminista mexicano Cadena de la Eva explica a história do ativismo nesse contexto e como ele é amplamente utilizado nas mobilizações do 8M como forma de ação política organizada. | La Cadena de Eva |

Iniciativas na América Latina impulsionando uma nova democracia, que seja para todas as pessoas.

No mês de março, organizações da sociedade civil de todo o mundo se reúnem em Nova York para a Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher (CSW) da Organização das Nações Unidas. Neste ano acontece a 70ª edição do encontro, e o Instituto Update, assim como diversas organizações parceiras da América Latina e da África, participará dos eventos paralelos que integram a programação oficial da conferência. | CSW |

Organizações feministas de mais de 35 países do continente africano se uniram para apresentar uma declaração conjunta na Comissão sobre a Situação da Mulher (CSW) da Organização das Nações Unidas. O documento reafirma a urgência de fortalecer o acesso à justiça para mulheres e meninas, defendendo sistemas de justiça acessíveis, inclusivos e centrados nas sobreviventes. Confira aqui a declaração que será apresentada e reverberada durante a CSW. | NalaFem |

Dicas da quinzena da equipe do Instituto Update pra você.
 

🖥️MIRA “Belén”, filme argentino vencedor da categoria internacional do Prêmio Goya, a premiação do cinema espanhol, conta a história do caso da mulher que uniu o movimento feminista argentino e que deu origem à maré verde, aos pañuelos verdes, e que mudou a história e a organização política do feminismo na América Latina.

🎧ESCUCHA  o  podcast “El trabajo que sostiene al mundo” é uma série exclusiva sobre cuidados, composta por seis episódios, produzida pela organização argentina CELS e pelo meio feminista LatFem.

💃🏽BAILA 
com “La Mexicana”, da cantora mexicana Paloma Morphy, vencedora do Grammy Latino de Melhor Artista Revelação em 2026. A música é uma espécie de carta ao México, misturando amor pelo país com indignação diante da violência contra as mulheres.

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