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A América Latina tem se apresentado como uma resposta possível aos tempos sombrios que marcam o cenário global. Em meio a uma crise de confiança na democracia, nas instituições e nas relações sociais, parte das respostas buscadas pelo mundo parece emergir da região.
Das ruas e das calles do Cone Sul, aos Andes, da Amazônia à América Central e do Caribe, viver é uma expressão permanente de resistência.
Ao mesmo tempo, eleitores latino-americanos seguem escolhendo governos que adotam a violência e a lógica punitiva como principais ferramentas de gestão política. A Costa Rica acaba de eleger uma presidenta com propostas de ampliação do sistema prisional inspiradas no modelo de Nayib Bukele. A população que resiste ao autoritarismo é a mesma que convive diariamente com a insegurança e busca respostas imediatas que tensionam e qualquer leitura linear da democracia.
Essa dualidade não é pontual. Ela expressa uma disputa permanente sobre o sentido do que significa ser latino-americano no século XXI.
A premiação de Bad Bunny como Álbum do Ano em uma das principais cerimônias da música internacional reforçou um movimento já visível: o novo “soft power” latino-americano. Trata-se de um “poder suave” distinto daquele tradicionalmente exercido por Estados e governos. Não é um poder baseado na imposição ou no controle, mas na capacidade de comunicar experiências, afetos e modos de vida.
Esse poder suave de resistir projeta a América Latina para o centro do debate global. Em contraste com respostas autoritárias baseadas no medo e na violência, a cultura latino-americana oferece outras narrativas, construídas a partir da memória e da reinvenção cotidiana. Ao buscar caminhos mais humanos e menos autoritários, parte do mundo volta seu olhar para a América Latina.
Helena Salvador, redatora da Newsletter "Realismo Mágico da Política Latino-Americana", do Instituto Update.
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Fique por dentro das notícias políticas da América Latina.
Com uma campanha centrada na política de “mão dura” contra o crime organizado, Laura Fernández venceu as eleições na Costa Rica no primeiro turno, com mais de 48% dos votos. Alinhada ao projeto de direita do atual presidente Rodrigo Chaves, Fernández defende abertamente a adoção de estratégias inspiradas no modelo de El Salvador para o combate à criminalidade. | Volcánicas |
+ O meio de jornalismo climático costarriquenho Ojo al Clima analisou os planos de governo e apontou que a maioria das candidaturas, principalmente a da presidenta eleita, não tratou diretamente das mudanças climáticas, mesmo em um país onde o meio ambiente é um dos principais eixos da identidade social e da atração turística. | Ojo al Clima |
+ Organizações da sociedade civil da Costa Rica elaboraram o FeminIndex 2026, um estudo que analisa os planos de governo e avalia as candidaturas a partir de seus compromissos com a agenda de igualdade de gênero. | Delfino |
Familiares das vítimas dos protestos sociais de 2022 e 2023 no Peru, vindos de regiões do interior rural como Puno, Ayacucho e Cusco, realizaram uma marcha em protesto contra o esvaziamento das investigações sobre a violência contra manifestantes. As famílias caminharam mais de 140 quilômetros até Lima para chamar atenção para o esquecimento dos casos, em um contexto de ano eleitoral. | Convoca |
É o candidato da esquerda que neste momento aparece liderando a corrida presidencial na Colômbia: o senador Iván Cepeda, político, filósofo e ativista de direitos humanos, que se destacou como mediador no processo de paz com as guerrilhas. Ele falou à Jacobin sobre o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e as intervenções do governo Trump na América Latina. | Jacobin Amelat |
O governo da Venezuela iniciou nesta semana os trabalhos do “Programa por la Paz y la Convivencia Democrática”, que terá um prazo de 100 dias para elaborar um plano de reconstrução do tecido social do país. O comitê de planejamento do programa inclui representantes do governo, lideranças populares e uma influenciadora venezuelana. | Prensa Latina |
Em discurso durante o Fórum Econômico da América Latina e do Caribe, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, fez um chamado à união dos países da região. Diante de intervenções estrangeiras, ele afirmou: “Cabe a nós assumir a integração possível”. | O Globo |
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Inspirações latino-americanas para alimentar a sua imaginação política.
O "poder suave" da resistência: o que significa afirmar que a América Latina está em alta? O reposicionamento cultural da região é também um jogo político e de resistência. | @phjasmin |
O “soft power” latino, personificado por Bad Bunny com sua grande vitória no Grammy, presença no Super Bowl e as críticas de Donald Trump ao artista, posicionou o artista como um símbolo de resistência latina frente à ultradireita nos Estados Unidos. Este é o tema deste especial do Connectas, rede colaborativa de jornalismo latino-americano. | Connectas |
Ao longo de sua turnê pela região, Bad Bunny incorporou referências locais em seus shows: no Peru, apresentou “El Cóndor Pasa”, evocando a resistência indígena e a memória do Império Inca; no Chile, cantou “Derecho de Vivir en Paz”, de Víctor Jara, hino contra a violência da ditadura; no México, dividiu o palco com Julieta Venegas em três canções; e, em Medellín, homenageou o cantor Yeison Jiménez. As escolhas evidenciam a valorização da cultura local em cada país por onde passou.
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Iniciativas na América Latina impulsionando uma nova democracia, que seja para todas as pessoas.
Mulheres no terceiro setor. Se você é mulher e trabalha em alguma organização, movimento, fundação ou coletivo da sociedade civil brasileira, responda ao levantamento “Senso do Terceiro Setor”, realizado pelo Instituto Lamparina, Gênero e Número e pelo Instituto Incube. A pesquisa busca compreender a realidade das mulheres que atuam nesse setor e foi criada para reconhecer a presença e construir, com rigor, um mapa de quem move o campo social no Brasil. Se você é mulher, cis ou trans, e atua no setor, sua voz é fundamental. Conte a sua história.| Senso do Terceiro Setor |
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Dicas da quinzena da equipe do Instituto Update pra você.
🖥️MIRA os vídeos da jornalista colombiana Carol Ann Figueroa que lançou uma série semanal dedicada às eleições no país. Em seu canal La Píldora, ela publicou um especial voltado a acompanhar os jogos de poder, os grupos de interesse e o que está em disputa nas eleições presidenciais e na renovação do Legislativo na Colômbia.
🎧ESCUCHA neste episódio do podcast Café da Manhã, a repórter Daniela Arcanjo, da Folha de S.Paulo, visita o Cecot, presídio-modelo do governo de Nayib Bukele em El Salvador. No programa, a jornalista relata como os salvadorenhos percebem a política de segurança máxima adotada no país, estratégia que tem ganhado espaço no discurso de novos líderes de extrema direita em toda a região e que deve aparecer com força também nas eleições brasileiras deste ano.
💃🏽BAILA com o álbum “Cancionera”, de Natalia Lafourcade, vencedor da categoria de Melhor Álbum de Pop Latino do Grammy 2026. A cantautora mexicana ganhou dos álbuns de Karol G, Rauw Alejandro, Alejandro Sanz e Andrés Cepeda.
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