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Era o ano de 1955, quando a periferia do mundo resolveu virar o globo de cabeça pra baixo. Enquanto as grandes potências, acostumadas a dividir e distribuir o mundo como uma torta, se recusavam a deixar suas colônias, lideranças de países até então chamados de terceiro mundo se juntaram em Bandung, na Indonésia. Não era um simples encontro diplomático; mas sim o primeiro grande ensaio de imaginação política feita a partir do sul. O objetivo era promover a cooperação econômica afro asiática, somando forças contra o colonialismo e o neocolonialismo. O Brasil participou como país observador.
A década de 50 parece ontem — era o tempo de nossos avós. Mas, enquanto eles viviam, nações inteiras ainda tentavam expulsar seus colonizadores. A Malásia lutava contra o poderoso exército britânico, o Congo contra os belgas, o Vietnã, a Argélia, o Marrocos e a Tunísia contra os franceses e a própria Indonésia tinha muito recentemente conseguido conquistar sua independência do brutal imperialismo holandês
Em 2026, 71 anos depois, nos juntamos a outras 3 mil pessoas no Global Progressive Mobilisation, um evento que reuniu governo, sociedade civil, partidos progressistas e a imprensa global para discutir o futuro da democracia e da justiça social e as alternativas ao conservadorismo e à extrema-direita.
Mais uma vez, o Sul Global ofereceu a generosidade e genialidade de produzir pensamento e articular movimentos por libertação para todos os povos. As soluções para as crises globais da democracia já são criadas e nutridas na periferia do mundo há séculos. A presidenta mexicana Claudia Sheinbaum resgatou os princípios de Bandung quando disse em seu discurso: a democracia implica liberdade, mas liberdade é palavra vazia se não está acompanhada de justiça social, soberania e dignidade dos povos.
No Brasil do passado recente e na Argentina de hoje, grita-se liberdade para vender o que é público, para conspirar contra a democracia e para virar as costas ao povo enquanto a própria nação definha. É a liberdade de quem já tem tudo, usada para tirar o pouco de quem nada tem.
No coração dos nossos sonhos e desejos, está a certeza de que a democracia pode e deve oferecer mais do que essa liberdade, que depois de sugada pelos poderosos, pouco sobra para quem constrói o país com seu trabalho, para quem sustenta a cultura com sua arte, para quem mantém a família com seu cuidado.
A confiança na democracia está abalada, e por isso é urgente reimaginá-la. No nosso Realismo Mágico, se nos horizontes da democracia do presente não cabem nossos sonhos e não floresce nosso desejo, que se abram, e que seu motor de expansão seja a inteligência e tecnologias de sobrevivência vindas do sul do mundo, construída pelas mãos das mulheres negras, indígenas, quilombolas, periféricas, mães de família, que fazem possível o impossível. No Brasil, temos a maior manifestação política de mulheres negras do mundo e uma das maiores assembleias indígenas do globo.
Esse é nosso laboratório de soluções.
Era o pós-guerra, a guerra fria e as lutas independentistas o cenário quando líderes de países recém independentes ousaram se encontrar em Bandung, reafirmando soberania, igualdades dos povos, nações e raças e cooperação sul-sul. Essa foi provavelmente a primeira vez que países empobrecidos, com longa história de colonização e exploração, protagonizaram um exercício de imaginação política e construção de futuro.
Bandung foi o ponto de partida, o primeiro grande exercício de um Sul que ousou olhar para o futuro sem pedir licença. Se em 1955 a gente reafirmou soberania, igualdade dos povos, nações e raças, hoje nós também ocupamos a mesa com uma bagagem que ninguém mais tem em um cenário de crise globalizada.
Mariah Gama
Coordenadora de Comunicação
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Apuração arrastada e um país em espera.
Três semanas depois, o Peru segue em um empate técnico após o primeiro turno da disputa presidencial, sem conseguir encerrar o processo eleitoral e virar a página. O resultado parece nunca se consolidar: desde a última edição deste boletim, a cada nova atualização da apuração, surgem pequenas mudanças, seguidas, logo depois, por mais incerteza, como narra a autora peruana Natalia Sobrevilla, para o meio alternativo Jugo.pe. | Jugo.pe |
Nesse cenário, Keiko Fujimori, filha do ditador Alberto Fujimori, largou na frente. Mas liderar, nesse caso, está longe de significar preferência da maioria. O resultado escancara uma eleição profundamente fragmentada, em que nenhum dos 35 candidatos é capaz de representar mais de 20% da população.
Mais de quinze dias de indefinição não são apenas um detalhe técnico, eles desgastam a confiança pública.
A sensação de incerteza contínua corrói a legitimidade do processo e abre espaço para narrativas de desconfiança. Esse cenário pode se repetir no segundo turno, previsto para junho, com uma disputa tão apertada que as pesquisas apontam mais um empate técnico. | La Nación |
Javier Milei e a política de destruição das geleiras argentinas.
O governo de Javier Milei aprovou a alteração da chamada "Ley de los Glaciares”, uma das principais proteções ambientais do país, abrindo caminho para a mineração e exploração de áreas até então preservadas. O que está em jogo é o controle sobre um dos recursos mais estratégicos do país: a água armazenada nas geleiras. | Chequeado |
Dentro do Congresso, a votação durou mais de 11 horas e contou com uma verdadeira aula da deputada e cientista Adriana Serquis, que tentou traduzir, de forma didática aos parlamentares, o risco ambiental histórico da alteração da lei. | Argentina Humana |
A maior ação coletiva da história da Argentina
Do lado de fora, mais de 100 mil pessoas se inscreveram para participar das audiências públicas, mas apenas 200 pedidos foram acatados pelo Congresso. Cerca de 900 mil argentinos se articulam em uma ação coletiva contra a medida, que pode ser considerada inconstitucional. A defesa dos glaciares começa a assumir um significado mais amplo: não apenas a proteção ambiental, mas também uma disputa sobre os limites do poder do governo Milei. | LatFem |
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Se tem um país que está em ebulição política nos últimos dias, esse país com certeza é a Colômbia.
O país vai sediar, ainda esta semana, em Santa Marta, a 1ª Conferência Internacional sobre Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, uma agenda que ganhou força após a COP30 no Brasil e que busca mobilizar especialmente aqueles que saíram frustrados com o pouco avanço prático na transição energética. Para acompanhar de perto essa ConferÊncia histórica, o meio digital La Silla Vacía preparou um repositório dedicado a reunir e organizar os principais debates e discussões que acontecem ao longo da conferência. | La Silla Vacía |
E, como se isso fosse pouco, a Colômbia também se prepara para uma eleição presidencial decisiva, marcada para o fim de maio. Após as eleições legislativas, o cenário indica uma disputa polarizada entre herdeiros do Uribismo e da esquerda de Petro. | El Colombiano |
No Brasil, a rotina exaustiva dos trabalhadores é agora pauta chave no Congresso Nacional.
O que começou quase como um desejo individual e um vídeo no tiktok puxada por um líder social que também é farmacêutico e balconista, à frente de um movimento de alcance nacional, agora é projeto de lei que acaba de avançar no Congresso. A proposta de pôr fim à escala de seis dias de trabalho para apenas um de descanso, realidade para a maioria dos brasileiros, já passou pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados e começa a ganhar forma como mudança concreta. No horizonte, a possibilidade de dois dias de descanso como regra. | Alma Preta |
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Uma conferência sobre a transição para o fim dos combustíveis fósseis, uma eleição presidencial no horizonte e uma das maiores feiras do livro da América Latina. A Feira Internacional do Livro de Bogotá ajuda a compor a intensa agenda que a Colômbia vive nas últimas semanas. Neste ano, o Brasil é o país convidado da Feira, e o tema central é “Ler a Natureza”, com uma curadoria que destaca as relações entre literatura e meio ambiente.
Para acompanhar o evento, o meio digital colombiano O70, junto com a jornalista Lina Vargas Fonseca, organizou uma lista de 70 livros em destaque na feira, com foco especial em obras que colocam a natureza no centro do debate. A curadoria oferece um retrato interessante de como a produção literária hispano-americana vem incorporando, cada vez mais, as questões ambientais como eixo narrativo e político. | 070 |
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Dicas da quinzena da equipe do Instituto Update pra você.
🖥️MIRA o discurso completo da presidente Claudia Sheinbaum foi um dos momentos mais potentes do encontro global progressista. Ao recuperar mulheres fundamentais da história do México, ela construiu uma narrativa que conecta memória, luta e futuro.
🎧ESCUCHA no âmbito do Global Progressive Mobilisation, o podcast brasileiro Calma Urgente fez uma entrevista com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a possibilidade de uma nova esquerda.
💃🏽BAILA com o videoclipe da canção Meia-Noite, de Anitta em parceria com Los Brasileiros, do novo álbum EquilibrIVm, que se afirma como um projeto estético e também político. A álbum é atravessado por referências às religiões de matriz africana, trazendo a diáspora como ponto de partida para compreender, em profundidade, as raízes da cultura brasileira e Latino-Americana.
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