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Instituto Update | O Realismo Mágico da Política Latino-americana |
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O futuro tem memória. 
Sankofa!

 

Nas eleições de outubro de 2026, muitas mulheres negras conquistaram suas primeiras cadeiras e outras garantiram a reeleição ao Congresso brasileiro. Como proteger as conquistas de gerações e ampliar o poder de decisão sobre o futuro da democracia?

Uma Sankofa sobrevoa o espaço entre o passado e o presente. Há algo de libertador em seu voo, mas também algo frágil a proteger. Com a cabeça voltada para trás, o pássaro resguarda com o bico um pequeno ovo, enquanto o corpo aponta para a frente. Sankofa é um dos símbolos Adinkra do povo akan, de Gana, na África Ocidental. Nesse gesto, expressa a ideia de buscar no passado aquilo de que precisamos para construir outros futuros.

Se uma Sankofa sobrevoasse o Brasil neste outubro eleitoral, o que protegeria em seu ovo? Os saberes e as conquistas que as mulheres negras levam das comunidades ao Parlamento, transformando lutas contra as desigualdades de gênero, raça e classe em direitos. Mas que espaço elas têm nas decisões que podem ampliar esse legado?

Sankofa, símbolo Adinkra do povo akan, de Gana, que expressa a ideia de buscar no passado o que precisamos para construir outros futuros. 

Embora representem cerca de 28,8% da população brasileira, as mulheres negras seguem sub-representadas nas instituições políticas. Em 2022, 25 mulheres negras conquistaram uma cadeira na Câmara dos Deputados do Brasil, segundo levantamento da Gênero e Número. Nas eleições de outubro de 2026, o Mulheres Negras Decidem contabilizou ao menos 15 deputadas federais negras eleitas, conforme publicou a Agência Brasil. A sub-representação persiste: que espaço suas agendas terão nas decisões do novo Congresso? 

Com Lula e Flávio Bolsonaro na disputa presidencial do segundo turno, essas conquistas entram em uma nova etapa de disputa. Para as lideranças negras que chegam ou permanecem no Parlamento, o desafio será sustentar suas agendas em um cenário de fortalecimento do bolsonarismo. Uma cadeira conquistada pode abrir caminhos para que as reivindicações das mulheres negras se tornem leis e mudem as prioridades da agenda pública. Muitas dessas mulheres já exercem liderança nos movimentos e nos territórios, construindo redes de cuidado e mobilizando comunidades para enfrentar problemas que o Estado não resolve. 

O desafio é transformar essa legitimidade social em representação institucional, fazendo com que suas experiências orientem as decisões.
A memória resguardada no ovo da Sankofa ajuda a reconhecer o que precisa mudar: a violência contra as mulheres, a violência policial que mata familiares, o sistema penal e as barreiras no acesso à saúde e aos direitos sexuais e reprodutivos. Essas desigualdades se combinam e atravessam também as vidas de mulheres negras em outros países da América Latina e do Caribe. Garantir sua participação nas decisões é criar condições para que as promessas democráticas se traduzam em direitos.

Em 2022, a Câmara de Deputados do Brasil elegeu 91 mulheres, ante 77 em 2018, um crescimento de cerca de 18%. O número de parlamentares negros, somando homens e mulheres, passou de 124 para 135, aumento de aproximadamente 9%.

Entre janeiro de 2023 e julho de 2026, as 25 deputadas federais negras eleitas em 2022 apresentaram 1.076 projetos de lei, segundo levantamento da Gênero e Número. Quase um em cada quatro trata de alguns dos eixos mencionados anteriormente: justiça, segurança pública e sistema penal. A saúde responde por 13% das propostas, e o trabalho, por 8%. A violência contra as mulheres, um tema muito sensível, aproxima mandatos de diferentes partidos: oito em cada dez dessas deputadas brasileiras apresentaram projetos sobre o tema.


Reeleita nas eleições de 4 de outubro, Talíria Petrone, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) pelo estado do Rio de Janeiro, é autora do Projeto de Lei (PL) 1741/2022, sancionado em 2024. A medida ampliou prazos acadêmicos e de bolsas em situações de nascimento, adoção e guarda judicial para adoção, criando condições para conciliar cuidados, formação e pesquisa. Carol Dartora, do Partido dos Trabalhadores (PT), também reeleita, pelo estado do Paraná, apresentou o PL 4887/2023, que propõe um protocolo de acolhimento às vítimas de discriminação racial nas escolas.
 

Erika Hilton, do PSOL, também contribuiu para transformar essas demandas em propostas na Câmara. Reeleita por São Paulo, terá mais um mandato para fazer crescer o que começou a cultivar. Um exemplo é a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 8/2025, debatida junto à PEC 221/2019, cujo texto aprovado prevê 40 horas semanais, com cinco dias de trabalho e dois de descanso. Sua atuação reúne a defesa do trabalho digno, dos direitos LGBTIQA+ e da população em situação de rua. Desde que assumiu o mandato, em 2023, Erika apresentou mais de uma centena de proposições, segundo reportagem da Agência Presentes: ao menos 21 são projetos de lei e 26 estão relacionadas aos direitos das mulheres.

Entre as mulheres negras que chegam ao Parlamento, Ana Elisa, do PT, é a mais jovem, com 21 anos. Veio de Divinópolis, no interior de Minas Gerais, onde cresceu ao lado de uma mãe professora e militante sindical. Nas redes, aprendeu a falar de política com quase dois milhões de pessoas, e mais de meio milhão votaram nela. É o presente, porque ocupa um lugar que a Câmara nunca havia aberto a uma mulher negra tão jovem.

É o futuro, porque sua chegada anuncia as que ainda virão: “Ser a primeira não significa que eu quero ser a única”, disse. Ela carrega o passado, porque caminha na trilha aberta por outras lideranças negras, como a Sankofa que busca na memória o que levar adiante. 
Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), 21 anos, a mulher mais jovem eleita para a Câmara dos Deputados | Reprodução redes sociais

A renovação também cobrou seu preço: durante a campanha, Ana Elisa enfrentou ataques racistas e ameaças. Proteger sua caminhada é parte da reparação que essa memória exige.

A chegada de novas deputadas e a permanência das reeleitas permitem que experiências de cuidado e resistência continuem a orientar leis e políticas públicas, ainda que a força de suas propostas dependa das alianças e disputas no Congresso.  
Essa luta atravessa gerações, e a trajetória de Benedita da Silva, do PT, ajuda a reconhecer os caminhos que tornaram essas chegadas possíveis. Eleita pelo Rio de Janeiro em 1986, tornou-se a primeira deputada federal negra do país e participou da Assembleia Constituinte de 1987–1988. Em 1989, propôs ampliar a proteção das trabalhadoras domésticas, levando ao Parlamento direitos negados a uma categoria marcada pela herança da escravidão. Décadas depois, de volta à Câmara, foi relatora da chamada PEC das Domésticas, que ampliou os direitos trabalhistas da categoria.
 

A memória também atravessa sua atuação. Como senadora, Benedita foi autora da iniciativa que, em 1996, inscreveu Zumbi dos Palmares no Livro dos Heróis da Pátria, uma das principais lideranças da resistência negra à escravidão no Brasil, no século XVII que conquistava assim reconhecimento na memória do Estado brasileiro. Aos 84 anos, ela disputou novamente o Senado pelo Rio de Janeiro neste outubro, mas não foi eleita. Sua trajetória permanece como referência para as mulheres que chegam agora ao Parlamento.
 

O legado da Marielle Franco também acompanha essa chegada. Vereadora, mulher negra do Rio de Janeiro, assassinada em 2018, Marielle tornou-se uma referência regional e global. Sua irmã, Anielle Franco, ex-ministra da Igualdade Racial, foi eleita deputada federal pelo PT do Rio de Janeiro fazendo com que a presença dela na Câmara aproxime essa memória das decisões nacionais. Proteger o que a Sankofa carrega significa também criar condições para que mulheres negras possam dar continuidade às suas lutas sem ter a vida ameaçada.

Reparar é reconhecer os danos da escravidão e da colonização e enfrentá-los com ações coletivas, simbólicas, políticas e materiais que corrijam as injustiças ainda presentes.
 

O Bem Viver é o horizonte de uma sociedade fundada na justiça, na equidade, na solidariedade e na vida digna, com outras formas de convivência entre as pessoas e de relação com a natureza. Reafirmados como dimensões inseparáveis no manifesto da Marcha das Mulheres Negras de 2025, reparação e Bem Viver ganharam as ruas de Brasília. Mulheres brasileiras, ao lado de companheiras de toda a América Latina e do Caribe, marcharam por um projeto de sociedade em que reconhecer a contribuição negra à construção dos países implique redistribuir recursos, garantir direitos e assegurar a participação das mulheres negras nas decisões. Essa mobilização aproximou a memória de uma tarefa no presente: reparar as injustiças para criar as condições do Bem Viver.

Marcha Global das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, 2025 | Reprodução Youtube

No Caribe, Ana Irma Rivera Lassén, ativista feminista afrodescendente porto-riquenha e ex-senadora, entende o Bem Viver como uma visão que coloca a comunidade e seus interesses no centro, reconhecendo a responsabilidade de cada pessoa pelo bem comum e pelo acesso de todas às condições básicas de vida. Para ela, essa perspectiva se nutre tanto das cosmovisões indígenas quanto das formas de vida comunitária trazidas pelas populações africanas escravizadas. E exige conectar as lutas: se os direitos humanos são interdependentes, as ações para garanti-los também precisam estar relacionadas.
 

Essa dimensão comunitária do Bem Viver aparece também na reflexão da ativista afromexicana e defensora de direitos humanos Mijane Jiménez Salinas, que participou do processo de articulação da Marcha das Mulheres Negras. Para ela, o conceito ganha vida na maneira como as mulheres se reconhecem e se apoiam.

Quem chega a um parlamento leva consigo uma história que começou muito antes da candidatura. Nas trajetórias dessas mulheres, os vínculos comunitários e as experiências nos territórios sustentam a atuação política. Há movimentos que formam lideranças, organizações que compartilham ferramentas e redes que apoiam a disputa pelo poder. O Instituto Update reconhece nessa trama os ecossistemas de inovação política: relações que permitem transformar a força construída nos territórios em participação nas decisões. Seus mapeamentos permitem conhecer essas experiências e as redes que as sustentam em diferentes países da região. Já o Conecta Latinas aproxima mulheres que constroem essas experiências em diferentes países. Mas quem encontra apoio nessas redes e quem permanece de fora? Ampliar a presença de mulheres negras nos parlamentos exige recursos e oportunidades para que novas lideranças cheguem e possam exercer o poder.
 

As eleições brasileiras de 2026 colocam em disputa conquistas que atravessam gerações e importam também para as mulheres que enfrentam retrocessos nos seus direitos em outros países da América Latina e do Caribe. 

Com a disputa presidencial seguindo para o segundo turno, essa mobilização tem uma tarefa imediata. Mas o horizonte vai além de outubro: que democracia queremos construir até 2035? A Sankofa segue seu voo sobre o nosso Brasil, resguardando no ovo a memória das conquistas. O que nascerá dele depende das condições que dermos a essas mulheres para chegar ao poder, permanecer e decidir.

Soledad Dominguez 

Jornalista 

Câmara chega a 21% de deputadas, mas o avanço dos direitos das mulheres segue em disputa
Crédito: Leonardo Sá/Agência Senado

Nas eleições de outubro de 2026 no Brasil, 109 mulheres foram eleitas deputadas federais e ocuparão cerca de 21% das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados, segundo a Agência Brasil. No Senado, 12 mulheres venceram a disputa e, somadas às que continuam seus mandatos, serão 18 em 2027, contra 15 atualmente. O levantamento do Mulheres Negras Decidem (MND) contabilizou ao menos 15 deputadas federais, mulheres negras, eleitas. Em entrevista à Agência Brasil, Tainah Pereira, coordenadora política do MND, destaca a presença de jovens entre elas como sinal de renovação. Mas chegar ao poder também é disputar o que fazer com ele. Na mesma reportagem, a cientista política Flávia Biroli ressalta que mais mulheres nas instituições não significam, necessariamente, mais compromisso com a igualdade: algumas também sustentam perspectivas patriarcais e políticas que prejudicam a maioria das brasileiras. | Agência Brasil | 

Dois retratos das mesmas urnas 

No Brasil, as urnas de outubro de 2026 trouxeram dois retratos: o avanço de mulheres, pessoas negras e LGBT+ do campo democrático e o fortalecimento institucional da extrema direita. Em artigo publicado no LinkedIn, o Instituto Update propõe olhar além do recorde de 109 deputadas federais eleitas: quais mulheres chegam e que projetos de sociedade sustentam? A análise mostra como a extrema direita constrói sua força entre eleições, articulando redes digitais, comunidades religiosas, apoio partidário e recursos nos territórios. E convida o campo democrático a pensar sua presença também para além dos mandatos: formação, financiamento, proteção e alianças para sustentar lideranças e conectar a democracia à renda, ao cuidado, à saúde e aos desejos de quem vive fora do Congresso. | Instituto Update — LinkedIn |

Representantes indígenas brasileiras renovam mandatos, mas perdem espaço 

Sônia Guajajara e Juliana Cardoso foram reeleitas para a Câmara dos Deputados do Brasil nesse início de outubro de 2026, segundo a Folha de S.Paulo. Ambas pelo estado de São Paulo, Guajajara, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), recebeu 54.207 votos, e Cardoso, do Partido dos Trabalhadores (PT), 111.904. A continuidade das duas, porém, acontece com menos presença indígena na Câmara: três parlamentares entre as 513 cadeiras, contra quatro eleitos em 2022. Célia Xakriabá, também do PSOL, não conseguiu renovar seu mandato por Minas Gerais. O levantamento considera a autodeclaração indígena registrada no Tribunal Superior Eleitoral. Nos parlamentos estaduais, a representação passou de dois para quatro deputados, incluindo a reeleição de Índia Armelau, do Partido Liberal (PL) que lidera o Flávio Bolsonaro, no Rio de Janeiro. Entre avanços e perdas, os povos originários seguem com pouco espaço nas instituições que decidem sobre seus direitos e territórios. | Folha de S.Paulo |

O assédio começa cedo e muda os caminhos

No Uruguai, 54% das mulheres relataram ter vivido a primeira situação de assédio sexual nas ruas antes dos 15 anos. O dado saiu de uma pesquisa da Usina e da L’Oréal Groupe divulgada por La diaria. Comentários indesejados, gestos obscenos e contatos sem consentimento fazem parte de uma violência que começa ainda na infância ou na adolescência e interfere na maneira de circular pela cidade. Seus efeitos se estendem às escolhas cotidianas: os trajetos, os meios de transporte e os planos que precisam ser reconsiderados para se sentir segura. A reportagem aborda também as estratégias que as mulheres desenvolvem para se proteger. O direito de ocupar o espaço público continua condicionado pelo risco de violência. | La diaria | 

Quem cuida depois do terremoto 
Mulheres da comunidade e parteiras no bairro El Futuro, em Quibdó, Chocó, Colômbia | Foto: Daniela Díaz Rangel. 
Há dois meses, a Colômbia viveu um dos terremotos mais fortes em décadas, com epicentro em Chocó, um dos departamentos mais empobrecidos do país. A reportagem da Daniela Díaz Rangel para o meio de comunicação Mutante, as histórias das parteiras Yolanda, Esilda e Sirley, em Quibdó, mostram como o cuidado sustenta a vida comunitária antes, durante e depois do desastre. Com suas próprias casas atingidas, elas organizaram refeições coletivas e levaram mantimentos a outras famílias. Os relatos revelam a força dos saberes ancestrais em territórios com pouco acesso à saúde — e as necessidades de quem cuida enquanto também enfrenta perdas. | Leia no Mutante |
Violência digital, proteção insuficiente
Na Guatemala, uma jovem de 22 anos soube pela família que uma imagem em que aparecia nua circulava nas redes. Ela nunca havia publicado fotos íntimas e acredita que alguém manipulou uma fotografia de seu perfil com inteligência artificial. O relato abre a investigação da Agência Ocote sobre a violência digital contra meninas e mulheres no país, onde faltam leis específicas para enfrentá-la. As consequências alcançam a saúde mental, as relações pessoais, os estudos e o trabalho das vítimas. Entre os casos acompanhados pela No Más Violencia Digital, 42 vítimas denunciaram ao Ministério Público, mas 31 denúncias foram estimadas. A organização No Más Violencia Digital conta com uma rede regional de 40 pessoas voluntárias para monitorar essas práticas, enquanto os grupos responsáveis recriam perfis e migram entre plataformas para escapar dos controles. As autoridades reconhecem falhas no tratamento das provas e a revitimização durante o atendimento. O Ministério de Gobernación, responsável pela segurança pública na Guatemala, trabalha em um protocolo para orientar as instituições desde o primeiro contato com a vítima até o encaminhamento judicial dos casos.| Agência Ocote |
Encontro de Mulheres e Dissidências
Manifestação de encerramento do Encontro Plurianual de Mulheres e Dissidências, em Córdoba | Foto: Alejandra Morasano 

Em Córdoba, na Argentina, terminou no dia 12 de outubro, o 39º Encontro Plurinacional de Mulheres e Dissidências, um espaço de organização feminista que reúne gerações e movimentos para debater direitos e construir agendas coletivas. Realizado entre 10 e 12 de outubro, promoveu quase 100 oficinas sobre trabalho, saúde, educação, territórios e soberania digital e levou mais de 100 mil pessoas à marcha, segundo a organização. “Temos raiva e precisamos de organização”, declarou a comunicadora feminista Liliana Daunes, sob aplausos, expressando a indignação com o governo de Javier Milei. No encerramento, Buenos Aires foi escolhida por aclamação para receber a edição de 2027, ano de eleições presidenciais. A capital sediou o encontro pela última vez em 1996, quando cerca de 15 mil mulheres participaram de 41 oficinas. Desde então, suas pautas e seu nome se ampliaram para reconhecer a pluralidade de quem constroi essa história. O retorno à cidade que abriga os poderes nacionais leva essa força coletiva para o centro da disputa eleitoral. | Página/12 | 


Dicas da quinzena da equipe do Instituto Update para você.
🖥️ MIRA Raíces de Ansina é um curta documental uruguaio de Daiana Abel e Aníbal Nario. O filme mostra uma moradia coletiva em Montevidéu que levava esse nome, Ansina e que abrigou gerações de famílias afrodescendentes até seu despejo forçado durante a ditadura militar na década de 1970. No documentário, antigos moradores reconstroem a memória da expulsão e da resistência, reivindicando reparação simbólica e o direito de voltar ao território que lhes foi tomado. Entre lembranças e demandas do presente, o curta mostra como a comunidade negra uruguaia mantém vivos seus vínculos mesmo depois de perder o lugar onde construiu sua história. | Assistir em  Retina Latina
🎧 ESCUCHA Concha y Pampa, da rapper e artista trans boliviana Kiya. Sua música cruza hip-hop e trap, misturando espanhol, quéchua e inglês para contar uma Cochabamba feita de ruas, mercados e encontros entre culturas. No videoclipe Concha y Pampa, chicherías — locais onde se produz e bebe chicha —, salões de bilhar e o comércio popular dividem a cena com mulheres skatistas, dançarinas de breaking e drag queens. Kiya chama essa estética de “transmaximalismo valluno”: uma mistura exuberante de referências andinas, japonesas e periféricas. Produzido por ela e por Mono Indie, o vídeo nasceu da autogestão de uma equipe técnica formada quase inteiramente por jovens mulheres de Cochabamba. A cidade aparece pela música e pelos corpos de quem a ocupa e a reinventa. | Muy Waso |
💃🏽 BAILA com Búscame, de Kris Alaniz com La Bruja Salguero. Nascida em Catamarca, no norte da Argentina, a rapper, cantora e produtora passou por Tucumán e pela cena musical de Córdoba antes de chegar a Buenos Aires. Sua música aproxima o hip-hop dos ritmos latino-americanos, levando para o rap suas raízes e as experiências de quem enfrenta o racismo e as desigualdades. Em Búscame, essa mistura percorre as ruas de La Boca, entre rostos do norte argentino, referências ao futebol e cenas do cotidiano popular. A parceria com Salguero, cantora de folclore argentino, faz uma ponte entre vozes, gerações e públicos. “É o momento de falar mais forte”, disse Alaniz à Rolling Stone, ao defender uma música que acompanha as lutas. | Ver e ouvir o videoclipe | 
A mesma leitura da política latino-americana que chega até você, agora também para quem lê em inglês.

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