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Instituto Update | O Realismo Mágico da Política Latino-americana | Foto: Danilo Verpa
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É na memória viva dos momentos que vivemos que buscamos respostas para o que virá no futuro. Esse ensinamento ancestral também é fundamental na política. 

Ao longo de 2025, diversos rastros nos mostram caminhos para 2026: desde o Memorial Vivo, do Instituto Marielle Franco, que recolheu objetos das mulheres que participaram da Marcha das Mulheres Negras em Brasília, até as imagens da fotógrafa equatoriana Daniela Beltrán, registrando a flotilha indígena chegando à COP-30 na Amazônia, passando pelos cartazes das manifestações da Geração Z em diferentes países da América Latina e pelas produções audiovisuais feministas que repercutiram e marcaram a região, algumas delas concorrendo ao Oscar. 

Esses rastros constroem uma memória viva do ano, feita a partir da criatividade política e da luta social. É nela que encontramos sinais e aprendizados que guiarão as eleições gerais no Brasil em 2026, e nos darão esperança para seguir buscando imaginação política das conexões potentes . 

A memória viva também se constrói nestas edições dos boletins, e esperamos continuar compartilhando esses rastros por toda a região, inspirando novos caminhos e conexões em 2026.

Fique por dentro das notícias políticas da América Latina.

Claudia Sheinbaum, primeira mulher a presidir o México, encerrou o kano como a líder mais popular do mundo. Reconhecida pela firmeza diante das investidas autoritárias de Donald Trump, mas também pelo seu estilo (destacada pelo New York Times como uma das personalidades mais estilosas do mundo em 2025) ela completou seu primeiro ano de governo com alta aprovação. Mesmo enfrentando assédio e violência machista, Sheinbaum se afirmou como um dos grandes destaques políticos da América Latina em 2025. | The Conversation | 

Em outros países da região, foram as mulheres que protagonizaram as principais disputas das forças progressistas. No Equador, Luisa González se consolidou como o principal rosto da esquerda ao liderar o campo correísta e chegar ao segundo turno contra Daniel Noboa. Mesmo após a derrota, manteve sua relevância e comandou a campanha pelo “No” no recente plebiscito. | El País | 

No Chile, Jeanette Jara chegou ao segundo turno com a maior votação e desafiou a extrema direita, que acabou vencedora. Sua candidatura trouxe elementos inovadores e  inspiradores para a região: uma mulher comunista, atual ministra do Trabalho, símbolo de experiência e firmeza de ideais, que conduziu uma campanha capaz de desbancar a extrema direita no TikTok e mobilizar amplos setores sociais. | LatFem | 

O Brasil teve, em 2025, a chance real de mudar as regras do jogo e garantir que, em 2026, mais mulheres ocupassem a política. Durante a discussão do novo Código Eleitoral, foram as mulheres no Congresso que barraram retrocessos,  como a tentativa de eliminar a cota de 30% de candidaturas femininas, e lutaram por avanços. A paridade foi colocada na pauta, impulsionada pela pressão da sociedade civil, mas novamente os senadores mostraram pouco interesse em incluir a mudança no texto que acabou parado no Senado. | Gênero e Número |

Na Argentina, as ruas não ficaram vazias diante dos retrocessos. Apesar da vitória da direita no Congresso, que agora fortalece o governo de Javier Milei, mulheres aposentadas lideraram as manifestações e receberam apoio de torcidas de futebol, cientistas, estudantes, movimento feminista e profissionais da cultura. Ao longo do ano, esses grupos se uniram contra os cortes e retrocessos promovidos pelo governo, mostrando que a mobilização social segue viva no país. | BBC |

Nos outros países e ao redor da região, quem tomou as ruas na América Latina foram as juventudes da Geração Z. No México, Peru, Equador e Paraguai, jovens se mobilizaram em manifestações conectadas a movimentos globais, mostrando a indignação e presença política. Essas juventudes foram estudadas a fundo pela Fundação FES no recém-lançado estudo “Juventude: um desafio pendente”, que revela como pensam e se posicionam para além das ruas e das manifestações globais. | FES |

2025 foi um ano de discussões, articulações e criação de pontes na América Latina, culminando nos últimos meses com um fôlego extraordinário.  Pela primeira vez, a Conferência do Clima 30 aconteceu na Amazônia, e, depois de anos, em uma democracia. Belém do Pará recebeu povos indígenas de toda a região amazônica, que chegaram de barco pelos rios que banham a floresta, com a flotilha indígena Yaku Mama. Apesar do resultado final do texto, o simbolismo e a representatividade foram também um êxito político e ambiental. | Nexo Jornal |

Apontando para 2026, a maior marcha de mulheres negras do mundo mostrou a rota que devemos seguir na luta pela democracia no próximo ano. A 2ª Marcha das Mulheres Negras aconteceu na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, um local simbólico: o Brasil é o país de maioria de mulheres negras, mas também um dos que registra menor representatividade dessas mulheres na política. Foi ali que se projetou o futuro da democracia que se quer de verdade, um suspiro de imaginação política rumo às eleições gerais. A marcha reuniu mulheres da América Latina, do Caribe e da África, reafirmando o protagonismo feminino e negro na construção de uma nova política. | El País |y

 

Inspirações latino-americanas para alimentar a sua imaginação política.

2025 fica marcado pelo Conecta Latina, encontro em Recife que reuniu mulheres da América Latina, África e Caribe para discutir protagonismo na democracia. O evento mostrou como as mulheres estão transformando estruturas, não apenas na política institucional, mas também na forma de acessá-la, e segue reverberando como um espaço vivo de conexão e inspiração. Do encontro, nasceu o Mapemanto de Iniciativas de Apoio à Liderança Política na América Latina, e também a “Movilizadas”, serie de artigos publicados em parceria com o LatFem, meio jornalístico feminista argentino. Os textos, disponíveis na íntegra, mantém viva a memória do Conecta Latina. | LatFem |

Iniciativas na América Latina impulsionando uma nova democracia, que seja para todas as pessoas.

Este ano, o Instituto Update lançou a iniciativa Améfricanas! O mapeamento amplia a atuação em articulação e, com o apoio de Nalafem, plataforma pan-africana de mulheres políticas e ativistas, e Walpe, e passa a pesquisar e conectar o ecossistema de iniciativas e atores que desempenham um papel crucial no apoio à liderança política de mulheres no continente africano. O foco está especialmente nos países lusófonos, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Cabo Verde , além de Quênia, Uganda e Zimbábue. A iniciativa busca fortalecer o intercâmbio Sul-Sul e conectar experiências entre América Latina, Caribe e África. | Mapeamento Améfricanas - Instituto Update |

Dicas da quinzena da equipe do Instituto Update pra você.

🖥️MIRA  o programa Dois Pontos, do jornal O Estado de São Paulo, especial “O que as mulheres pensam sobre política?” com Camila Rocha, pesquisadora do Cebrap, e Carolina Althaller, diretora executiva do Instituto Update. Na conversa sobre o que as mulheres pensam sobre política, pontos da pesquisa do Instituto Update sobre a diversidade ideológica entre eleitoras.

🎧ESCUCHA  o episódio do Mamilos podcast “Onde está o consenso entre as mulheres do Brasil?’, que trata do Mapa Narrativo Entre Nós, do Instituto Update, uma investigação sobre o consenso de pautas entre mulheres da esquerda e da direita e as possibilidades de diálogo. No episódio, a cientista política e consultora do projeto, Lilian Sendrete, conversou com Manuela Dávila, jornalista, escritora, ex-deputada federal e futura candidata ao Senado Brasileiro.

💃🏽BAILA  com “Suena Lindo, Corazón”, canção do artista mexicano Macario Martínez, conhecido por se apresentar em bares, viralizou nas redes e foi eleita uma das melhores músicas do ano pela Rolling Stone.

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