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Instituto Update | O Realismo Mágico da Política Latino-americana |
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Uma maioria de muitas

As mulheres decidem eleições, mas continuam minoria entre quem disputa e exerce o poder. O que acontece entre uma coisa e outra?

Na Baía de Guanabara, a manhã de 11 de maio de 1928 não era de cartão-postal. Sob um céu fechado de chuva, um pequeno avião monomotor decola da Ilha das Enxadas e sobrevoa o Rio de Janeiro, então capital federal do Brasil. A bordo estão três mulheres: Bertha Lutz, Amélia Bastos e Carmen Portinho, presidente, primeira-secretária e tesoureira da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. Quando o avião sobrevoa o Palácio Monroe, a Câmara dos Deputados e o Catete, à chuva miúda se soma outra, de papel. São milhares de panfletos rodopiando sobre os bondes e os chapéus que cruzam as avenidas do centro. Quem apanhasse um deles do chão leria: "As mulheres já podem votar em trinta países e um Estado brasileiro porque não hão de votar em todo o Brasil?"

Berta Lutz no avião do qual se lançaram panfletos de propaganda pelo voto feminino em maio de 1928. Fonte: Arquivo Nacional / Wiki Commons

A resposta aterrissou em fevereiro de 1932, com um novo Código Eleitoral que incluiu as mulheres nas urnas — ainda que sob ressalvas, sem voto obrigatório para elas e mantendo analfabetos de fora. A conquista também carregava as desigualdades de um país ainda marcado pela herança da escravidão. Enquanto mulheres brancas como Bertha Lutz ocupavam o centro do movimento sufragista, mulheres negras como Almerinda Farias Gama disputavam esse mesmo direito a partir de outras experiências de trabalho, organização e enfrentamento ao racismo.

Feminista, sufragista, advogada, nordestina e líder sindicalista, Almerinda Farias Gama foi pioneira na luta pelo direito ao voto feminino e ao divórcio. Crédito: CPDOC/FGV/REPRODUÇÃO.

Em 4 de outubro de 2026, 158,7 milhões de brasileiros irão às urnas para escolher o próximo presidente da República, 27 governadores, 54 senadores, 513 deputados federais e os representantes das assembleias estaduais e distrital. As mulheres serão 53% de quem vota. Na disputa pelo cargo mais importante, no entanto, são só uma em cada seis: entre as doze candidaturas à Presidência, dez são de homens.

Noventa e oito anos depois, a pergunta que três sufragistas brasileiras lançaram sobre a Baía de Guanabara parece resolvida na letra da lei. O problema que a fez cair do céu, nem tanto.

O que sabemos sobre como as brasileiras decidem seu voto? E o que acontece com todo esse peso eleitoral antes e depois de ele chegar às urnas?

Não há eleição possível no Brasil sem o voto das mulheres. Isso não significa, no entanto, que exista um "voto feminino": oitenta e três milhões de eleitoras não cabem num substantivo singular: não pensam, não vivem e não votam da mesma maneira. Reduzi-las a uma massa amorfa esconde diferenças fundamentais para entender por que votam, em quem, e o que essas escolhas dizem sobre os Brasis que estão sendo projetados.

Gênero não existe sozinho. É uma construção social que se mistura com outras como raça e fé, e com condições materiais como salário, geração, CEP e escolaridade. No entanto —  e é aqui que a mecânica eleitoral se torna fascinante —, quando se isola o voto das mulheres e se compara com o dos homens, surgem diferenças consistentes entre as preferências políticas dos dois grupos. Uma fratura se abre na régua: uma distância palpável, mensurável, que a ciência política convencionou chamar de gender gap, ou lacuna de gênero. 

No Brasil, essa lacuna tem data de nascimento: 2018. Foi a primeira eleição presidencial desde a redemocratização em que homens e mulheres votaram de forma expressivamente diferente: elas rejeitaram Jair Bolsonaro mais do que eles, segundo o cientista político Jairo Nicolau, autor de O Brasil dobrou à direita (Zahar, 2020). Oito anos depois, a distância permanece e, em alguns cenários, aumentou. Em julho de 2026, uma pesquisa Datafolha mostrou Lula com 50% das intenções de voto entre as mulheres e Flávio Bolsonaro com 40% num eventual segundo turno. Entre os homens, empate técnico: 46% para Flávio, 45% para Lula.

Mas essa divisão tem limites. Na pesquisa Mulheres em Diálogo, do Instituto Update, 94% das entrevistadas concordam que homens e mulheres devem receber o mesmo salário em cargos equivalentes. Mais de 60% das mulheres, de conservadoras a progressistas, defendem uma presença feminina maior na política. No conjunto da amostra, 72% concordam plenamente com a ideia. 

Na segurança pública, a preocupação também atravessa posições políticas: 77% das entrevistadas na mesma pesquisa apontaram segurança e violência entre os principais problemas do país, independentemente de orientação ideológica. Essa insegurança limita a vida cotidiana de formas concretas: 79% das mulheres relataram sentir medo ao sair à noite; 59% já deixaram de frequentar determinados lugares por insegurança; e 31,4% deixaram de usar algum meio de transporte pelo mesmo motivo, segundo a pesquisa Mulheres, Polícia e Facções, feita pelo Instituto Update em parceria com o Instituto Fogo Cruzado.

As mulheres podem se afastar dos homens nas escolhas políticas sem, por isso, formar um bloco eleitoral coeso. E podem discordar  entre si sem discordar sobre tudo.

Essa combinação não é uma particularidade brasileira. Quando a lente se abre para a América Latina, a distância entre homens e mulheres reaparece, e vem acompanhada da mesma dificuldade de transformá-los em dois blocos de opiniões opostas.

Mulheres nascidas depois de 1980 se identificam cada vez mais com a esquerda; homens da mesma geração, cada vez mais com a direita. É o que mostra um estudo deste ano do cientista político Pablo Argote, que cruzou dados de seis países (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Uruguai). É uma versão latino-americana do gender gap que hoje também mobiliza pesquisadores nos Estados Unidos e na Europa.

Só que a distância nos rótulos ideológicos não se traduz em um abismo nas opiniões concretas. O estudo mostra que, na prática, homens e mulheres dessa geração pensam mais parecido do que suas autodeclarações sugerem: a aprovação ao casamento igualitário e ao aborto avança em ritmo semelhante entre os dois grupos, enquanto a urgência de combater a desigualdade perde força tanto para eles quanto para elas.

Eleitoras e eleitores estão se afastando na bandeira que dizem carregar, mas não necessariamente no que esperam do dia a dia. Se as opiniões sobre esses temas não explicam por que eles votam de forma tão diferente, a resposta pode estar no peso que cada urgência ganha na vida real. Emprego, inflação, saúde e segurança preocupam ambos. Mas a ordem das dores é outra.

Entre as mulheres, as pesquisas indicam maior peso ao custo de vida, à saúde, à educação, ao cuidado, à proteção social e ao enfrentamento da violência de gênero, mostrando que a comida que encarece, a creche que falta, o trabalho invisível do cuidado e o medo constante acompanham as brasileiras até as urnas. Entre eles, segurança pública e economia tendem a ocupar posições mais altas na lista de prioridades.

Para as mulheres, política tem menos a ver com abstrações ideológicas e muito mais com a gestão da sobrevivência diária.

A diferença fica menos abstrata quando se olha para a vida fora das urnas. Maior escolarização feminina, maior presença no mercado de trabalho, mudanças nas estruturas familiares e experiências distintas com o cuidado, as políticas públicas e a violência ajudam a moldar a relação das mulheres com o Estado e com quem promete governá-lo.

E o que aparece nas pesquisas de opinião já aparece também na escolha dos candidatos. Na Argentina, o apoio a Javier Milei chegou a mostrar uma diferença de quase 18 pontos entre homens e mulheres em levantamentos recentes. No Chile, a eleição presidencial de 2025 repetiu o padrão: pesquisadoras do Observatório de Gênero e Equidade descreveram José Antonio Kast como o candidato que concentrava a rejeição mais explícita entre as mulheres. São retratos parciais — pesquisas de opinião, não censos —, mas apontam na mesma direção dos dados históricos do LAPOP.

Até aqui, olhamos para as diferenças entre quem vota. Quando a conta passa para quem é eleito, outras disparidades aparecem. As mulheres ocupam hoje 37% das cadeiras nas câmaras baixas da América Latina e Caribe, segundo o Observatório de Igualdade de Gênero da CEPAL. Embora 18 países já tenham adotado cotas ou paridade eleitoral, até 2023 apenas 14 mulheres presidiam câmaras legislativas na região, segundo dados da União Interparlamentar reunidos pelo PNUD.

Muda o país, o padrão se repete: mulheres são maioria de quem vota, mas minoria de quem senta nas cadeiras que seus votos preenchem.

Entre um lado e outro da urna, existe um campo inteiro de disputa. É nele que organizações espalhadas pelo continente trabalham para ampliar não apenas quantas mulheres participam da política, mas as condições em que essa participação acontece.

Na Argentina, a LatFem, mídia feminista nativa digital, oferece informação gratuita focada na América Latina e Caribe, com olhar transfeminista, interseccionnal e ecofeminista. No México, o Instituto de Liderazgo Simone de Beauvoir reúne mulheres indígenas e afrodescendentes, jovens rurais e pessoas da diversidade sexogenérica para transformar experiências locais em organização e incidência política. No Caribe, a Caribbean Women in Leadership treina mulheres que querem disputar eleições desde como construir uma campanha a como chegar ao governo. Os resultados do trabalho são absorvidos pelo Task Force Interamericano sobre Liderança das Mulheres, que articula iniciativas pela participação feminina em toda a região.

Há quase um século, três mulheres precisaram fretar um avião e arremessar panfletos na chuva para perguntar quem tinha o direito de decidir o destino do país. Hoje, a resposta está carimbada na lei e nas pesquisas: somos nós a maioria de quem escolhe. Mas basta olhar para quem ocupa os palanques, as mesas de negociação e as cadeiras do poder para perceber que o avião de Bertha Lutz ainda não terminou de pousar. 

Cinquenta e três por cento não é só um dado. É mais da metade de um país projetando o futuro.
Mariana Lozzi
Jornalista e escritora
 
O baobá de Zélia
Zélia se tornou a primeira mulher negra a receber o título de Professora Emérita da Universidade Federal do Pará. Reprodução: Universidade Federal do Pará (UFPA)

Menos de um mês antes de morrer, Zélia Amador de Deus participou do plantio de um baobá em sua homenagem no campus da Universidade Federal do Pará. A árvore falava de “ancestralidade, de memória e daqueles que vieram antes de nós”, disse naquele dia. Em 8 de setembro, a professora, intelectual, artista e uma das principais vozes do movimento negro na Amazônia morreu em Belém.

Zélia entrou na UFPA como estudante de Letras em 1971 e voltou como professora em 1978. Foi diretora do Centro de Letras e Artes, vice-reitora da universidade, uma das fundadoras do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa) e integrou a delegação brasileira na Conferência Mundial contra o Racismo de Durban, em 2001. Em 2020, tornou-se a primeira mulher negra a receber o título de professora emérita da UFPA. | Geledés | UFPA |

Mais que o dobro de candidaturas LGBT+

As candidaturas LGBT+ bateram recorde nas eleições de 2026 no Brasil: são 514 nomes confirmados, alta de 57% sobre 2022, segundo levantamento do Instituto Plena Cidadania. O salto chama atenção porque vai na contramão do total de candidaturas no país, que caiu de 29.262 para 20.524 no mesmo período. Com isso, a fatia LGBT+ no universo eleitoral mais que dobrou, de 1,12% para 2,5%. O maior crescimento está na disputa mais decisiva para o caixa dos partidos: as candidaturas à Câmara dos Deputados saltaram 84%, de 116 para 214. A presença também se espalhou pelo espectro partidário (de 23 para 27 legendas), inclusive por siglas de extrema direita. Para Gui Mohallem, do Instituto Plena Cidadania, os partidos estão finalmente reconhecendo o que o movimento já sabia: candidaturas LGBT+ rendem mais voto por real investido. | Agência Brasil |

Vinte deputadas de olho em Kast
No Chile, mais de vinte deputadas de oposição reativaram a Bancada Feminista Julieta Kirkwood para acompanhar de perto o que o novo governo de José Antonio Kast faz — ou deixa de fazer — com os direitos das mulheres. A agenda de fiscalização já tem calendário: em setembro, direitos sexuais e reprodutivos e a aplicação da lei de interrupção voluntária da gravidez; em outubro, orçamento para educação infantil, cuidados e Tribunais de Família; em novembro, a implementação da Lei Integral contra a Violência contra as Mulheres. | G5Noticias | El Ciudadano |
Não foi um caso isolado
Foto: Rodrigo Viera Amaral

No primeiro dia de setembro, uma estudante de 19 anos sofreu uma tentativa de feminicídio dentro da Faculdade de Medicina da Universidade da República, em Montevidéu, Uruguai. No dia seguinte, estudantes ocuparam as ruas e marcharam até o Palácio Legislativo exigindo medidas de prevenção e resposta à violência de gênero dentro das instituições de ensino. A mobilização também respondeu ao reitor da faculdade, Arturo Briva, que havia classificado episódios desse tipo como “excepcionais”. “Não foi um fato isolado. Não merecemos silêncio institucional”, dizia uma faixa pendurada nas grades. Em outra, estudantes resumiram a contradição de maneira mais dura: “Estudamos para salvar vidas, não para nos despedir de companheiras.” | La Diaria |

2.701 nascimentos
Petrona Pereira veio de Yhú, no Paraguai, para participar da Semana das Mulheres Indígenas com uma conta difícil de ignorar: ao longo da vida, a parteira Mbya acompanhou o nascimento de 2.701 bebês. Ela foi uma das mulheres de diferentes povos que se reuniram para trocar conhecimentos sobre gravidez, parto e cuidado comunitário no encontro “Diálogo de saberes: Jornada com parteiras indígenas”, realizado em 1º de setembro. Em muitas comunidades, chegar a um serviço público de saúde exige percorrer grandes distâncias; quando chegam aos hospitais, mulheres indígenas também relatam discriminação e práticas que desconsideram suas culturas. “As parteiras salvam vidas nas comunidades”, resumiu a pesquisadora Tina Alvarenga. No caso de Petrona, há pelo menos 2.701 delas para contar. | Última Hora |
Eleitas, mas ainda sob ataque
Nas eleições subnacionais deste ano na Bolívia, um monitoramento encontrou mais de 9 mil mensagens hostis dirigidas a 44 candidatas nas redes sociais. Agora, o Tribunal Supremo Eleitoral reuniu em Cochabamba governadoras, prefeitas, magistradas e outras autoridades para aprender a identificar riscos, documentar ataques e reagir à violência digital. A oficina parte de uma constatação do próprio TSE: o problema não acaba quando termina a eleição. “Pensávamos que a violência digital só acontecia nos processos eleitorais”, disse o presidente do tribunal, Gustavo Ávila. “Ela continua quando uma mulher é eleita, designada, escolhida.” Ganhar a eleição, afinal, não encerra a disputa pelo direito de exercer o cargo. | La Razón | TSE |
Eleição, se der
O Haiti tem data para voltar às urnas depois de uma década: 13 de dezembro. Mas há um asterisco importante no calendário. O próprio Conselho Eleitoral Provisório condiciona a realização das eleições presidenciais e legislativas à existência de segurança e dinheiro suficientes para organizá-las. A votação, inicialmente prevista para agosto, já foi adiada uma vez. O país não realiza eleições desde 2016 e, desde o assassinato do presidente Jovenel Moïse, em 2021, atravessa uma sucessão de governos de transição enquanto grupos armados controlam territórios e importantes rotas de circulação. O segundo turno está previsto para fevereiro de 2027. | Estadão | CEP |
Presentes, mas longe do poder
Elas participam de assembleias escolares, organizam a distribuição de gás nos bairros, trabalham nas mesas eleitorais e cuidam das cédulas depois da votação. Ainda assim, poucas venezuelanas chegam aos lugares onde as decisões são tomadas. Um estudo do IPYS Venezuela e da Red Mujeres Constructoras de Paz ouviu 1.226 mulheres e encontrou uma distância curiosa: 74% participaram de alguma atividade pública nos últimos cinco anos, mas apenas 2% pertencem ativamente a partidos ou organizações políticas. Entre as mais jovens, de 18 a 34 anos, o afastamento é ainda maior: precariedade econômica, responsabilidades de cuidado, planos de migração e experiências de repressão ajudam a explicar por que 56% não consideram determinante seu próprio papel numa eventual transição democrática. As venezuelanas já estão na vida pública. A dificuldade é fazer a política reconhecê-las quando chega a hora de decidir. | Efecto Cocuyo | IPYS Venezuela |
 

Dicas da quinzena da equipe do Instituto Update para você.
🖥️ MIRA a série documental Historia del Nuevo Cancionero, disponível gratuitamente no YouTube. Em quatro episódios, a série volta à Mendoza dos anos 1960 para contar como artistas como Mercedes Sosa, Armando Tejada Gómez, Oscar Matus e Tito Francia ajudaram a transformar a música de raiz argentina. O movimento queria um folclore capaz de falar não apenas da paisagem, mas das pessoas que viviam nela — e da realidade social e política que encontravam. A história passa pela expansão do Nuevo Cancionero e chega aos anos de ditadura e exílio, quando cantar também podia significar ter de partir.

🎧 ESCUCHA o podcast Duas e Tanto, de Carol Pires e Marina Dias. No episódio Eleições 2026: o que as mulheres querem para segurança e economia?, as jornalistas partem de duas pesquisas recentes para perguntar o que está pesando nas escolhas das brasileiras às vésperas da eleição. De um lado, as bets e a promessa de completar uma renda que não fecha; do outro, a segurança pública e a busca por respostas que vão além da punição. Nesse segundo bloco, aparece a pesquisa Mulheres, Polícia e Facções, do Instituto Update com o Fogo Cruzado. | Disponível no Spotify |
💃🏽 BAILA com Imyra, Tayra, Ipy – Taiguara (1976), obra-prima de Taiguara, um dos artistas mais perseguidos pela censura durante a ditadura brasileira. De volta ao país depois de um período de autoexílio, ele reuniu nomes como Hermeto Pascoal, Toninho Horta e Wagner Tiso para um disco exuberante, experimental e profundamente latino-americano. Lançado pela Odeon, o álbum foi recolhido das lojas e seu show de estreia, marcado para as ruínas de São Miguel das Missões, cancelado na véspera. | Álbum completo no YouTube| 
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